segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Entrevista e relato do parto da Elaine!



1- Por que você decidiu ter uma Doula?
Por medo do parto. Eu precisava de alguém que me desse segurança nesse momento, alguém que seria a minha voz para decidir pelo meu melhor e pelo melhor da minha filha, pois essa é uma hora em que ficamos completamente vulneráveis e aceitamos tudo o que falarem, sem raciocinar direito.

2- Como descobriu que era uma doula e como escolheu a sua?
Descobri a função de doula procurando na internet por um médico de parto humanizado, o Dr. Marcos Leite dos Santos. Entrei em contato com algumas doulas por e-mail e, nas suas respostas tive uma primeira impressão. Depois comecei a procurar mais informações sobre elas, e o blog da Cris foi fundamental para a minha decisão. Os relatos do blog foram fundamentais para a minha opção pela Doula, e essa opção foi selada no primeiro encontro, quando ela me deixou muito segura.

3- Como foi ter uma doula no parto?
Foi muito bom ter uma doula. Se ela não estivesse comigo, eu teria ido para o hospital muito mais cedo e sabe lá Deus como teria sido meu parto. Eu estava confiando nela, por isso, fiquei em casa tranqüila atenta às contrações.

4- Como foi o trabalho de parto e parto? Se pudesse voltar atrás, faria
algo diferente? ( se foi cesárea, conte sua experiência sobre a cesárea).

Meu trabalho de parto foi muito rápido. Às 2 horas da manhã do dia 18/09/2011, um domingo, eu ouvi um barulho, como se fosse um balão estourando, e um leve soquinho na minha barriga, então, senti vontade de ir ao banheiro.

Quando me levantei, escorreu um pouco de líquido em minhas pernas, pensei que estivesse tão “apurada” que o xixi estava escapando. Quanto mais eu caminhava, mais escorria líquido.

Depois de urinar, fui tomar banho, e escorreu mais líquido. Então desconfiei que era a bolsa que havia rompido e liguei para a Doula. Eu estava com 37 semanas. Ela conversou comigo e, como era pouco líquido, não havia cheiro característico e eu não sentia dores, ela me orientou a dormir.

Dormi tranquilamente e levantei às 6 horas como de costume. Fui ao banheiro e o tampão saiu. Ligamos para a Doula e ela pediu que a avisássemos caso eu sentisse mais alguma coisa. Passei a sentir umas colicazinhas de vez em quando, mas eram tão fraquinhas que achei desnecessário chamá-la. Lá pelas 11 horas da manhã, essas cólicas ficaram um pouquinho mais fortes, então, pedi que meu marido anotasse a freqüência – e ele, todo metódico, fez uma tabela no Excel (risos). As cólicas permaneceram com a mesma intensidade das 11 até mais ou menos às 14 horas, com intervalo médio de 13 minutos.

Eu ainda tinha dúvidas se era trabalho de parto, pois as dores eram apenas chatinhas, muito menores do que eu esperava. Ainda mais que vimos que às vezes o trabalho de parto demora dias para iniciar após a saída do tampão. Então, resolvi fazer faxina nos armários para me distrair.

Entre 14 e 15 horas a dor ficou um pouco mais forte, e daí “caiu a ficha” que era trabalho de parto. Eu já me torcia toda, mas ainda achava graça: um pouco sentava, um pouco caminhava, um pouco deitava e assim ia... a dor era idêntica a uma cólica intestinal – que era comum para mim. O intervalo ainda continuava de 13 minutos, por isso, achei muito cedo para chamar a Doula.

Por volta de 16 horas comecei a me pendurar no pescoço do meu marido. Daí em diante acabou a graça e eu queria que nascesse logo (risos). As cólicas estavam com intervalo de 7 minutos. Fui para o chuveiro para tentar aliviar a dor e o Nilton chamou a Doula. Ainda era estranho para mim, pois, por mais que estivesse doendo, eu ainda esperava algo pior – aquilo era igual às cólicas intestinais que eu tinha. Sempre ouvi falar que a cólica renal era igual à dor do parto. Que nada!! A cólica renal é pior que a dor do parto. Eu já tive cólica renal, cujas dores me fizeram desmaiar, e as dores do trabalho de parto e parto foram menos intensas.

No exato momento em que a Doula chegou, eu estava perdendo mais líquido. Mal podia caminhar, o desconforto era muito grande e as cólicas eram mais freqüentes. Fomos direto para o hospital, pois meu corpo estava fazendo força sozinho. Foi incrível, pois parecia que meu corpo agia independente da minha vontade, por mais que eu pensasse em não fazer força, o meu corpo fazia.

Mas nossos anjos da guarda estavam nos acompanhando – ter essa certeza me dava mais tranqüilidade também, pois eu sabia que tudo seria como deveria ser, tudo seria como eu, a Leda e o Nilton escolhemos antes de vir para esse mundo – e saímos do centro histórico de São José até a maternidade Ilha, em Florianópolis, pegando apenas 1 semáforo fechado. Houve momentos eu que pensei que a Leda nasceria no carro. Ao chegar à maternidade, eu e a Doula fomos direto para o banheiro da recepção, pois tive dores muito fortes: a Leda estava coroando!

O plantonista estava fazendo um parto, então, o Dr. Marcos Leite dos Santos, que estava acompanhando uma parturiente, e passou pela porta do banheiro, nos levou para a sala de triagem, e depois de 10 minutos a Leda nasceu.

Ela foi direto para o meu colo e começou a mamar ainda grudadinha no cordão umbilical. Depois de alguns minutos fomos para o quarto. Eu fui tomar banho e a Doula deu banho na Leda. Então, nós duas de banho tomado, ficamos agarradinhas e ela voltou a mamar novamente.

Ela estava feliz da vida com sua blusa de oncinha (risos), pois nem ela teve tempo de se preparar.

Se eu mudaria alguma coisa no meu parto? Acho que não... ou melhor, quem sabe teria feito uma forcinha para a Leda nascer nas mãos da Doula no carro a caminho da maternidade (risos).

5- Você acredita que o parto tem alguma relação com a personalidade do bebê?
Eu não sei. Penso que o sentimento de amor e de vontade seja o mais importante. Já ouvi gestantes dizerem que escolheram cesárea porque “já não agüentavam mais o bebê ali dentro”, “queriam que saísse logo”. Poxa... o bebê não é uma coisa para “ser tirada”, ele tem a sua hora, e ele deve vir quando quiser e ser recebido com muito amor.

6- No próximo filho, pretende ter parto normal?
Nosso próximo filho será adotado, mas, se por acaso eu engravidar novamente, será parto normal.

7- O que você gostaria de dizer aos casais a espera de um bebê?
Dicas, conselhos entre outros.
Leiam muito, pois a informação destrói os medos e traz mais segurança.

8- Como é a vida após a chegada do bebê?
É muito boa. Os objetivos de vida mudam, a rotina muda, mas é maravilhoso ter uma criança em casa. A família toda se envolve.

9- Você ficou satisfeita com o trabalho da doula e com o parto?
Sim. Por mais que eu tenha passado a maior parte do meu trabalho de parto sozinha, pois optei por chamá-la nos últimos minutos, a Doula foi fundamental nessa hora.

10- Deixe um recado:
Que Deus abençoe sua vida, sua família e seu trabalho Cris. Obrigada por ter estado conosco nesse momento maravilhoso.

Elaine Basqueroto Coelho.

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