quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Relato do Parto da Rosi escrito pelo marido Rodrigo!



Assim como muitas mamães acompanham o blog, eu também acompanho a gestação das mamães que me adicionam pelo Orkut e Facebook, fico aqui torcendo para que tenham os partos são sonhados. Quando elas conseguem eu fico muito feliz. A Rosi foi assim, conheço apenas pelo Orkut e pedi o relato dela para postar no blog e ela enviou.
Oiii Cris!!
Estou te enviando o relato do meu trabalho de parto. Somos de Canoas – RS. Acompanhamos direto seu blog e você havia me solicitado o relato pelo Orkut.
Estou honrada por poder compartilhar desse momento mágico do meu TP, especialmente no teu blog, que foi muito inspirador para o meu preparo!
Sou a mamãe Rosilene, o papai é Rodrigo e a neném Sabrina.
Minha Doula é a Camila Winter de Porto Alegre, além de ter sido minha queridíssima professora de Yoga para gestantes. 
Gostaria muito que divulgasse o trabalho da Drª Ana Cláudia Esteves Codesso , pois ela e mais o Dr Ricardo Jones, são os únicos obstetras do RS adeptos do parto humanizado.
Pois tenho certeza que muitas mamães do RS estão à procura de médicos que as respeitem. E de doula.
Muito obrigada pela oportunidade!
Grande abraço!!

Rosilene, Rodrigo e Sabrina

RELATO DO TRABALHO DE PARTO PELO PAPAI RODRIGO
MAMÃE ROSI E FILHOTA SABRINA
Minha esposa estava com 39 semanas quando tive uma feira para participar durante quatro dias, a duas horas de viagem de ida e duas horas de viagem de volta. O evento começou numa terça feira e encerrou-se na sexta. Brincamos durante um tempo que a Sabrina ia ser obediente e esperar eu estar por perto para decidir vir ao mundo.
Chegando em casa na sexta-feira às 23 hs, tudo estava bem com a Rosi e nossa filha, Sabrina. Conversamos um pouco, comi uma laranja, assistimos TV e após fomos para a cama e nos prepararmos para dormir. Ao deitar, por volta de 00:30 já do dia 20/08/11, Rosi sentiu  uma cólica um pouco mais forte na parte de baixo do abdômen,  que durou alguns segundos e se extinguiu. Logo após, poucos minutos depois, a dor veio mais uma vez e começamos a cogitar, ainda em tom de brincadeira, que poderia ser o início das contrações. Depois de se repetir por 3 vezes em pouco mais de 10 minutos fui consultar o livro “O que esperar quando se está esperando” (estava preparado para chamar a doula quando as contrações chegassem a ficar regulares de 5 em 5 minutos, mas não começar já com um intervalo menor que esse) e pesquisar sobre pródomo, situação em que o corpo se ensaia para o trabalho de parto, mas não é o trabalho de parto em si. Lá estava a informação era que contrações em intervalos inferiores a 5 minutos, mesmo que irregulares, era aconselhado procurar serviço médico. Rimos um pouco disso, achávamos que não era hora ainda, mas imediatamente comecei a cronometrar as contrações, sua duração e seus intervalos. Ligamos para nossa doula, Camila Winter, e dela recebemos a recomendação para ficar embaixo do chuveiro e acompanhar as contrações que provavelmente desapareceriam. Rosi relutou um pouco em ir para o chuveiro, as contrações já apresentavam fortes. Mas pouco depois fomos ao chuveiro e lá ficamos monitorando as contrações, ainda de 3 em 3 minutos e durando entre 30 e 60 segundos. Ligamos novamente para a doula e pedimos para ela vir até nós e ligamos para a obstetra, Ana Claudia Codesso, informamos o que estava acontecendo. Ela nos  recomendou que aguardássemos nossa doula conforme havíamos conversado durante o pré natal e que ligasse novamente se decidíssemos ir ao hospital, mas que seria bom aguardar a avaliação da Doula Camila. Enquanto esperávamos e monitorávamos as contrações no chuveiro Rosi sentiu algo se romper dentro dela e lá veio o tampão na forma de sangue, uma quantidade razoável que se estancou com brevidade. Poucos minutos após estourou a bolsa e daí tínhamos certeza que seria o grande dia. Comecei a preparar os itens necessários para levar à maternidade, tirei o carro da garagem e andava de um lado para o outro tentando lembrar das coisas que não podia esquecer de levar, tudo isso enquanto continuava (ou tentava continuar) monitorando as contrações da Rosi.
A doula chegou com brevidade, pegou sua bola suíça e foi direto ao encontro da Rosi para ajudar a passar por esse momento da melhor maneira possível. Passei o histórico das contrações, ela pediu para avaliar um pouco como estava enquanto eu juntava as coisas para a maternidade. Em seguida decidimos ir ao hospital, fui guardar o carro dela e nesse momento a obstetra liga para saber como estava, ao que informamos que estávamos indo ao hospital em instantes.
 A caminho da maternidade as contrações continuaram da mesma forma que anteriormente e agradecemos por estarmos saindo às 2:20 da manhã para percorrer os 25 km que nos separavam do hospital, sem o trânsito costumeiro da BR 116 e da capital gaúcha. Em pouco mais de 20 minutos chegamos ao Divina Providência, Rosi e a Doula foram direto ao centro obstétrico para avaliação e após uma breve avaliação na admissão, a Dra. Ana Cláudia se encontrava entre nós. No primeiro exame uma boa notícia, Rosi já estava com 7 cm de dilatação e as contrações continuavam da mesma forma. Enquanto Rosi era atendida fui à recepção proceder à internação, liguei para minha sogra para avisar que estava em trabalho de parto (sim, acabei com o sono dela!), peguei mais algumas coisas no carro e voltei ao encontro da Rosi, que agora já estava na sala de parto.
Na sala foi colocada luz indireta e os trabalhos para evolução da dilatação continuaram. A Camila sugeriu a bola e lá ficou durante um tempo e nova medição: 9cm. Cada vez que media a dilatação a Rosi sentia uma dor bastante forte devido à sensibilidade da vagina, que por sinal já era sentida há uma semana. Respeitando isso, Ana Cláudia era compreensiva em fazer o mínimo de exames de toque.
Agora imaginávamos já estar na parte final, pois era pouco mais de 3 hs da manhã e só falta 1 centímetro para terminar a dilatação. Mas este pouco que faltava começou a demorar a acontecer. Massagem, apoio, muda posição, tenta caminhar. E ficava de cócoras, se apoiando em mim e na Doula ou se sentava na poltrona enquanto esperava acontecer a dilatação completa. Um momento interessante foi quando Rosi estava sentada na poltrona, cochilando em um intervalo de contração, eu sentado numa banqueta de um lado, a Doula sentada numa banqueta do outro lado e a médica em frente, pacientemente esperando o trabalho de parto evoluir. Enquanto isso a fome começou a ficar forte, pois a Rosi estava desde as 19 hs sem comer e o trabalho de parto estava bem cansativo. A médica recomendou não comer nada a essa hora devido ao quadro de enjôo que se apresentava, mas sugeriu um chá que foi prontamente aceito. Dentro de instantes chegou nossa amável obstetra com um chá bem doce para botar um pouco de glicose no corpo da parturiente.
Rosi perguntava o que poderia fazer para acelerar um pouco o processo e a Dra. Ana sugeriu uma posição na cama de parto, e momentos mais tarde ela topou de tentar a posição. A cabeceira da cama foi levantada a 75°, a Rosi se posicionou de frente para a cabeceira, quase de quatro, sendo possível se segurar na própria cama ou em mim e na doula. Foi feito mais um exame de toque (vagina bastante dolorida) que constatava ainda os 9cm e já eram 6 hs da manhã! Haviam passado 3 horas e não progredia, um receio de não ter a dilatação completa passou  pela Rosi, que se esforçava para que seu corpo trabalhasse mais para alcançar seu desejado parto natural.
E foi nessa posição que a dilatação progrediu minutos mais tarde, a vontade de empurrar já existia e a médica sentiu a Sabrina se encaixando para  vir ao mundo. Os instrumentos para auxiliar no parto foram preparados e as enfermeiras nesse momento entraram na sala, assim como a pediatra. Pela última vez foi feito o exame de toque e... vitória! Dilatação total! Uma luz a mais foi ligada para auxiliar a visualização, mas colocada ainda de forma indireta a pedido da médica. A força continuava, sempre sendo conduzida pela Doula, que a ajudava para respirar melhor. Rosi se segurava ora na doula, ora em mim, ora na própria cama. Fazendo força conforme seu corpo sentia, Sabrina foi coroando e pouco segundos após saiu a cabecinha, Rosi usou de toda a força possível para agilizar o processo e rapidamente o corpinho inteiro da nossa filha sai de dentro do corpo da mãe! O cordão estava curto e a médica atentamente tratou de cortá-lo para não machucar a mãe. Enrolada nos panos para ficar aquecida foi entregue à mãe, ainda exausta, mas bastante aliviada! Tentou dar o peito, mas Sabrina não quis, estava muito bem alimentada do sangue da mãe (valeu a pena a respiração realizada durante o TP)
Ali ficou alguns momentos curtindo a linda filhinha, fazendo algumas fotos e depois foi encaminhada para ser limpa e fazer a avaliação de rotina. Enquanto a mãe era assistida para retirada da placenta, aos cuidados da médica e da doula, eu fui atrás da bebê para acompanhar os procedimentos. Foi feita aspiração na boca e nas vias aéreas, que limpou o líquido do parto. Nessa oportunidade a Sabrina foi para a balança onde acusou 2830g, 48 cm e com apgar 9/10. Ainda envolta nos panos, eu e minha filhota voltamos à sala de parto para devolver a filha à mãe, que está neste momento em trabalho de expulsão da placenta. Pouco tempo depois, com ajuda da médica e da enfermeira a placenta sai e finalmente Rosi pode deixar seu corpo descansar. A médica pega a placenta e mostra à mim e minha esposa a bolsa, como estava no corpo e onde houve a ruptura, uma aula de anatomia na sala de parto!
Após isso, mais alguns momentos em família, com a doula e a médica e mais algumas fotos. Depois Sabrina foi ao banho para após ser vestida enquanto a mais nova mãe do pedaço se encaminhava à sala de recuperação, ainda acompanhada da Doula. Minutos mais tarde chegava a recém nascida já vestida e direto para o colo da mãe.
Depois disso fui levar a doula também cansada para buscar seu carro na nossa casa, buscar algumas coisas e voltar para o hospital para estar junto das minhas mulheres amadas.
Tenho muito a agradecer à Dra. Ana Cláudia Codesso. Uma médica extraordinária que usou de toda a sua calma e conhecimento para fazer desse momento uma hora inesquecível! Obrigado por respeitar as vontades da Rosi e auxiliar para que esse momento transcorresse da forma mais tranquila possível. Observar seu rosto expressando paciência e resignação nos momentos de dor é algo que me conforta como pai e esposo. Você respeitou todas as vontades da mãe, não ofereceu analgesia nem fez episiotomia e se dedicou para que as escolhas para que a Sabrina viesse ao mundo fossem exclusivamente da mãe, apesar das posições incômodas e das higienes extras que foste obrigada a sucumbir. Sabendo que vivemos em um mundo de pressa, de cesáreas desnecessárias e excesso de procedimentos médicos protocolares, ter você como nossa médica nos fez pessoas mais felizes, realizadas e profundamente agradecidas pelo seu trabalho e pela sua decisão de ser médica obstetra. O mundo é um lugar melhor com pessoas como você.
Agradecemos também ao trabalho da nossa Doula Camila Winter, que recebeu durante o momento de parto em si o cargo de cinegrafista. Durante todo o tempo suas palavras de apoio, suas massagens, o teu esforço por dar conforto foram de grande importância nesse momento único em nossas vidas. Você foi um apoio (literalmente) durante todo o processo. Obrigado por filmar o parto e registrar lindamente para a eternidade essa situação maravilhosa por qual passamos juntos.
Agradecemos por fim à equipe presente no Hospital Divina Providência, por suportarem os gritos e não interferirem de maneira nenhuma no processo que ali ocorria. Vocês deram um atendimento ótimo durante nossa curta estada (felizmente) nessa excelente instituição de saúde.
Rosi conseguiu fazer todo seu parto sem intervenção alguma, não houve ocitocina, nem soro, nenhum acesso venoso. Tampouco foi feita episiotomia ou qualquer manobra que não respeitasse o corpo dela. Sou um homem feliz por participar de uma experiência incrivelmente marcante e totalmente agradecido por acompanhar o parto da minha filha de forma intensa e plena. Obrigado Rosi por ser a guerreira que és! Te amo
Drª Ana Cláudia Esteves Codesso (MARAVILHOSA!), Mamãe Rosilene, papai Rodrigo e a Sabrina.
Doula Camila Winter, foi de uma doação incrível! Não sei como poderia conduzir o TP de forma mais tranqüila. Muito obrigada, minha querida amiga!!!
Claro que o meu esposo Rodrigo  (que é um poço de calmaria) contribuiu muito para que me mantivesse calma.


 Cris De Melo
Doula!

3 comentários:

  1. Oii Cris!!!
    Obrigada pela divulgação!!!
    Adoramos a oportunidade!!
    Bjão enorme!!

    Rosi, Rodrigo e Sabrina

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  2. Adorei o relato do papai...fico muito feliz de ter conhecido a Rosi e o Rodrigo nas aulas de yoga para gestantes e de saber que tenho uma amiga forte e guerreira como a Rosi. Parabéns mais uma vez pela Sabrina! Beijão
    Camila Ballen.

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  3. Rosi Querida
    Tu é uma guerreira mesmo!!
    Queria demonstrar minha admiração pela tua força de vontade e superação. Fez valer a tua vontade de ter um parto normal sem nenhuma intervenção.
    Saúde sempre pra vocês três. Rosi, Rodrigo e Sabrina.
    Bjão
    Vanessa Erthal

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