terça-feira, 2 de agosto de 2011

Contra a mutilação genital no parto!!!

Todos os anos, milhões de mulheres na América Latina têm sua vulva e vagina cortadas cirurgicamente (musculatura vaginal, tecidos eréteis da vulva e vagina, vasos e nervos) sem que haja qualquer justificativa médica para isso.

Esse corte, chamado episiotomia, tem sido utilizado de rotina em centenas de milhões de mulheres desde meados do século XX, com base na crença de sua necessidade para facilitar o parto, e para a preservação do estado genital da parturiente. A partir da metade da década de 80, há evidência científica sólida recomendando a abolição da episiotomia de rotina.

Sabe-se que, para a grande maioria das mulheres, a episiotomia é um problema, não uma solução: ao invés de promover a saúde genital ou a do bebê, provoca danos sexuais importantes, dor intensa, aumenta os riscos de incontinência urinária e fecal, e leva com freqüência a complicações infecciosas, problemas na cicatrização e deformidades, genitais, entre outros agravos. Trata-se de uma violação dos direitos sexuais e reprodutivos, dos direitos à integridade corporal, à informação e escolha informada, à condição de pessoa e à eqüidade no acesso à saúde.

 Vários estudos mostram que as mulheres relatam que o momento mais doloroso da parto foi exatamente o da sutura da episiotomia. Muitas mulheres relatam que escolhem a cesárea para fugir de uma episiotomia, especialmente depois de uma experiência traumática e com seqüelas. Diante da permanência desta prática na assistência ao parto, injustificável frente às evidências científicas, a episiotomia de rotina tem sido considerada por vários autores como uma forma demutilação genital, e mesmo como violência de gênero cometida pelas instituições e profissionais.

No Brasil, prevalece um sistema erótico baseado nas noções de atividade-masculino e passividade-feminino. Essa concepção mecânica e passiva da vulva e da vagina é transposta para o parto, dificultando a compreensão, mesmo pelos médicos, de que faz parte da anatomia e fisiologia normal das mulheres que seus genitais aumentem de tamanho durante o sexo e o parto, voltando depois ao tamanho usual.

A concepção dos genitais femininos como passivos ratifica a idéia da vagina "apertada" ou "frouxa" (mas sempre passiva, diante do falo em movimento que a estimula e é estimulado). Isto dificulta a compreensão da vagina e vulva como órgãos ativos, capazes de se contrair e relaxar, de acordo com a vontade feminina, até por se tratar de musculatura voluntária, tal como re-descrito pelos estudos mais recentes da anatomia e fisiologia genital feminina. Em resumo, mais do que prevenir a episiotomia, a questão é como promover a integridade corporal no parto.

 Isso inclui as mudanças institucionais discutidas acima, mas também na formação de recursos humanos e na opinião pública, para reduzir os índices de episiotomia desnecessária (lesão sexual iatrogênica no parto), promovendo uma assistência ao parto menos agressiva e uma vida sexual mais satisfatória, para mulheres e suas parcerias.
Fonte e Texto na Íntegra: Simone G. Diniz é médica, doutora em Medicina Preventiva e professora do Departamento de Saúde 

8 comentários:

  1. Sempre ouço falar episiotomia e que serve para facilitar na hora do parto...mas acho que nao que sirva para ajudar no parto coisa nenhuma!A mulher ja esta no auge de sua adrenalina com contracoes, dores e muito nervosismo, ai vem o medico e lhe diz que precisa de episiotomia... mais adrenalina, ne?So que com certeza mais panico e trauma!!Tenho uma tia que fez, em 1977, pq o medico disse que meu primo era grande demais... a coitada ficou um bom tempo mancando e sentindo dores... acho que eu nao mereco isso...Obrigada, Cris, mais uma vez!Bjao!!

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  2. Estes assunto sempre me intrigou, vou aproveitar para tirar minhas duvidas... Como o corte é desnecessário, quer dizer q o bebe pode passar pelo canal vaginal sem que este seja cortado? Ou este canal é cortado naturalmente?

    Beijos!!

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  3. Vivian, é desnecessária sim. Hoje os medicos a favor do parto humanizado não fazem ela de rotina, alguns apenas em raras excessões como fórceps, e outros nem para isso fazem. Quanto maior a experiencia do médico, menor a frequencia de episios.

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  4. Analine, não existe necessidade em cortar a vagina no parto. Não é o canal vaginal e sim a vagina, bem no final onde o bebê sai, os médicos achavam que cortando evitava que essa pele rasgasse, mas na verdade é melhor que rasgue do que cortar.
    Lembrando que muitas mulheres tem parto normal e continuam com o períneo íntegro.

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  5. O meu maior medo do parto normal é só a episiotomia...tenho pavor!!!
    Deve ser muito desconfortavel e dolorido ficar com pontos lá em baixo e um corte enorme....


    Beijos

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  6. Sempre ouço reclamações de episios, elas nunca cicatrizam com a mesma facilidade que uma laceração.

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  7. Eu tive uma laceração que cicatrizou tão rápido que nem tive problema com ela. Muito melhor q uma episio. Já pensou fazerem um corte onde talvez poderia ficar intacto? msmo se não ficasse, é muito melhor do que esse corte

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  8. cris no meu primeiro parto a medica fez a episto sem nem me dizer!! só disse depois que o adrian nasceu a placenta saiu e olhou pra mim e disse: agora vou dar anestesia local e te suturar!! que raiva que me deu. foi tudo maravilhoso mas acho que merecia saber antes. ela tinha que me perguntar ou ao menos me comunicar na hora. ja da julya o medico maravilhoso apenas furou a minha bolsa com 7cm.. em menos de 10 min a julya ja tava coroando. e me levantei para ir pra sala de parto e cabeça dela saiu o medico um amor deu risada e jogou o lençol do chao e quando estava terminando de deitar com ajuda do meu marido a julya ja estava nos meus braços. tive apenas uma laceração la dentro que levou umponto só. poxa fiquei tao feliz e penso que levei um corte de 5 pontos em direção a perna à toaaaa!!! AFFFFF

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