domingo, 31 de julho de 2011

Matéria do Globo News sobre Parto X Cesárea!



São nove meses de ansiedade, expectativa e indecisão. Qual parto fazer? No Brasil, 3 milhões de mamães passam por essa dúvida todos os anos. E mais de 45% escolhem a cesariana.

Hoje assisti pela internet a matéria que saiu sobre parto natural e cesárea e achei bem interessante, uma médica muito inteligente falou várias coisas importantes, e o outro falou muitas besteiras. Uma delas foi sobre a Doula, ele comentou que não havia estudos que comprovassem os benefícios da Doula.

No link no facebook uma obstetra famosa no Brasil respondeu: 

" - A Revisão Sistemática da Cochrane, atualizada recentemente em 2011, inclui agora 21 ensaios clínicos randomizados e 15.061 mulheres. Evidenciou-se que o suporte contínuo intraparto reduz a duração do TP e a necessidade de analgesia, reduz anecessidade de parto instrumental e a taxa de cesáreas e se associa a maior satisfação materna e menor risco de Apgar abaixo de 7 no 5o. minuto. Os maiores benefícios são conferidos quando o suporte contínuo é providenciado por uma mulher que não faz parte do staff hospitalar nem da rede social da parturiente (ou seja, a doula)."Melania Amorim Obstetra!

Importante que a médica da matéria também falou que os médicos desaprenderam como se acompanha um parto normal além de desrespeitar a fisiologia humana e intervindo sem necessidade.

Segue o link:


Qualquer dúvida fiquem a vontade.

Cris De Melo
Téc. Enfermagem, Mãe
& Doula!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Encontro Parto Domiciliar Planejado - Agosto


HANAMI - PARTO DOMICILIAR PLANEJADO

Estaremos realizando no dia  11 de Agosto (quinta feira) um encontro aberto e gratuito para gestantes, casais grávidos e interessados em conhecer a proposta de atendimento ao parto domiciliar planejado da equipe Hanami.  Nesse encontro, além de apresentarmos a equipe e o método de trabalho, estaremos esclarecendo as dúvidas sobre o parto domiciliar e os demais serviços oferecidos.  Esse convite pode ser encaminhado para outras gestantes/casais interessados. 

Data:  11/08/2011
Local: Rua Ricardo Pedro Goulart, 62 -  Bairro Santa Mônica -no Espaço Hanami / BrinQtal - veja o mapa 
Horário: 19:30

Pedimos a gen
tileza de confirmar presença enviando um e-mail com seu telefone para contato para   
iarasilveira@gmail.com
 Qualquer dúvida, ligue 9112-6749. 

Nos vemos lá!

Grande abraço
Iara e equipe Hanami

terça-feira, 26 de julho de 2011

Carinho da mamãe cura!

Mamãe e papai dando carinho para sua filha



Quem é que nunca deu um beijinho no machucado do filho dizendo que a dor já ia passar? E quando a mãe improvisa uma milagreira massagem (mesmo sem nunca ter colocado os pés em um curso especializado) quando o pequeno sofre uma pancada na mesa ou jogando futebol? E os poderes bombásticos de um gostoso cafuné quando a criança está de cama? O mais interessante e gratificante é que todos esses artifícios de fato amenizam e muito a dor.


O bombardeio de carinho na criança nos momentos de dor tem muita força, viu. Isso porque uma área do cérebro é ativada quando se recebe um carinho, liberando descargas elétricas que diminuem a sensação de dor. Demonstrações de afeto geram um efeito de proteção e prazer.
Vamos explicar em uma linguagem mais específica, mas necessária. Crianças consoladas com o carinho ou com a voz da mamãe têm um aumento dos níveis do hormônio ocitocina no organismo. Um artigo americano publicado na Proceedings of the Royal Society B reforçou tal conclusão.

A ocitocina é um hormônio liberado pela hipófise, uma estrutura que fica no cérebro. É um hormônio relacionado, dentre outras coisas, ao contato físico, como um carinho, um abraço ou um beijo.
Quando se recebe um beijinho da mamãe quando se machuca, a hipófise libera a ocitocina. E seus efeitos imediatos são de diminuição da ansiedade e do estresse, que acabam diminuindo a percepção de dor da criança.
Um outro estudo realizado na Universidade de Stanford, nos EUA, também revela que trocas de carinho e de afeto amenizam a dor. As demonstrações de afeto ativam as mesmas áreas do cérebro em que os analgésicos atuam. Para quê um remédio para um simples machucadinho se o beijinho da mamãe sara tudo?

O melhor é que demonstrações de carinho e afeto não são boas só de imediato. As crianças levam isso para a vida toda. O vínculo consistente entre mamãe e bebê não apenas diminui o estresse da criança como também a ajuda a desenvolver recursos que a auxiliarão em suas interações sociais e na vida de maneira geral.
Carinho é gostoso, faz bem e é retribuído de milhões de outras formas. Uma mãe presente na vida de uma criança é a coisa mais valiosa para o pequeno. Quando isso infelizmente não é possível, o pai, os irmãos e avós podem suprir essa importante figura na vida do ser humano.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O que é teste de Apgar?


Trata-se de um método simples e eficiente de medir a saúde de seu recém-nascido e de determinar se ele precisa ou não de alguma assistência médica imediata.

Ele é rápido, indolor e, certamente, vai tranquilizar você. Na verdade, é bem possível que o médico faça a avaliação do bebê sem que você nem note. A maioria das crianças nasce em boas condições de saúde, mas, caso seu recém-nascido precise de algum auxílio médico, será melhor saber o quanto antes para começar o tratamento. Este procedimento passou a ser rotineiro após os partos desde que a anestesiologista Virginia Apgar o desenvolveu, em 1952. 

 Um minuto após nascer e novamente aos cinco minutos de vida fora do útero, seu bebê será avaliado da seguinte forma: 

• Frequência cardíaca
 
• Respiração
 
• Tônus muscular
 
• Reflexos
 
• Cor da pele Cada um destes itens recebe uma nota entre 0 e 2 para se chegar a um total geral.

Grande parte dos recém-nascidos recebe entre 7 e 10, não requerendo nenhum tratamento imediato, como, por exemplo, auxílio para respirar. 


O que quer dizer a nota de cada criança? 
Claro que 10 é sempre música para os ouvidos dos pais, mas 8 ou 9 também são ótimas avaliações. Um parto mais complicado ou prematuro e até medicação para dores tomadas pela mãe podem mascarar as notas, não retratando exatamente as condições reais do bebê, mas, no geral:

• Avaliação entre 8 e 10 mostra crianças em estado de saúde de ótimo a excelente, que provavelmente não vão precisar de cuidados extras.
 
 • Avaliação entre 5 e 7 indica estado regular e pode haver necessidade de ajuda de aparelhos para respirar. O médico talvez massageie vigorosamente a pele do bebê ou dê a ele um pouco de oxigênio.


O teste de Apgar prevê problemas de saúde futuros? 
Não, embora no passado os especialistas tenham chegado a acreditar que sim. Uma das teorias sugeria que se a nota de um recém-nascido permanecesse baixa aos cinco minutos de vida, isso indicava probabilidade de ele ter problemas neurológicos. Estudos mais recentes, porém, rejeitaram essa teoria. Sozinhas, as notas individuais não prevêem o estado de saúde futuro de uma pessoa, seja bom ou ruim. 

A vantagem do teste é sua simplicidade: ele é facilmente realizado e mede com rapidez e precisão a saúde de um bebê nos primeiros momentos da vida fora do útero -- nada mais, nada menos.

Fontehttp://brasil.babycenter.com/pregnancy/parto/apgar/

Quanto vale o seu parto?


Essa é uma pergunta que vocês grávidas e futuros pais devem fazer em frente do espelho. Nós sabemos que especialmente nos dias de hoje ter um filho não é barato, é o berço, o carrinho, a cômoda, o roupeiro, a banheira, o bebê conforto, o protetor de berço, aquele tapete charmoso, a poltrona de amamentação, e quem sabe um sling.

 Mas será que TUDO isso é necessário? E será que precisamos comprar tudo da melhor marca, melhor loja? Que diferença tem um berço de 200 e ou berço de 600 reais?

Um carrinho de 300 ou um de 1,5 mil reais? Mas tudo bem, cada um sabe o que pode comprar!

O problema é que os casais não enxergam a importância de investir no PARTO, na chegada daquele ser especial que vai usar todas aquelas coisas citadas acima. A experiência do parto é única, um momento especial, mágico e inesquecível. Pelo menos é assim que ele deve ser. Já vi muitos casais falando que querem muito um Parto Domiciliar, mas que não fariam por causa do lado financeiro. Mas gente, vamos falar a verdade que nem é tão caro, aliás sai mais barato do que a maternidade particular. Sem contar que com certeza qualquer equipe ou parteira de qualidade parcela e até negocia o valor, se você realmente precisa e quer aquilo! Assim como Doulas, qualquer doula de qualidade e confiança negocia e parcela o valor. Não deixe de ter uma por causa do financeiro, esteja aberto para negociações!

Outra coisa muito comum é os casais optarem pela cesárea para não ter que pagar o chamado do médico, quantas vezes eu já ouvi '' Se for cesárea a médica não cobra nada a mais, se for parto normal eu tenho que pegar 2 mil. Prefiro fazer então pelo convênio." E o bebê? Ele pode decidir o que é melhor pra ele? Ele pode ou deve opinar? É, infelizmente é grande a quantidade de bebês nascidos em cesáreas eletivas, nascidos por ESSE motivo em especial, porque sai mais barato!

Por outro lado temos os casais que gastam MUITO para ter uma cesárea eletiva por medo do parto anormal oferecido nas maternidades públicas, medo dos erros que saem nos jornais todos os anos. Será que essa é a melhor opção? Será que investir numa Doula que vai acompanhar esse casal em casa, usando a sua experiência e formação para que eles cheguem na maternidade apenas do final da fase ativa, ao invés de chegar nas primeiras contrações? Ter uma pessoa que entende do processo do parto, os procedimentos e indicações, para proteger a parturiente nesse momento? Isso não é garantia, nada é, nem uma cirurgia eletiva. Mas diminui e muito as chances de algo ruim acontecer.



E claro, temos os casais que querem o parto com o plantonista da maternidade, e temos plantonistas maravilhosos, que fazem o que a gestante quer, respeitam seus desejos e interferem apenas quando realmente necessário. Mas infelizmente também temos aqueles médicos que não são adeptos ao parto humanizado, que preferem fazer uma cesárea logo, inventam uma desculpa qualquer, e o casal inexperiente com certeza vai acreditar e aceitar. Mas e depois? Quando principalmente a nova mãe vai descobrir que poderia ter sido diferente? Que aquilo não era necessário? Como fica a cabeça dessa mulher?

Então pensem novamente, quanto vale o SEU parto?

Não, eu não estou dizendo que deve ser tudo do mais caro, mas TENHA um médico de confiança, um médico REALMENTE a favor do Parto Natural, que vá respeitar seus desejos até onde for possível.

Mas se  você quer tentar a opção do plantonista, tudo bem, mas tenha o que eu chamo e recomendo a TODAS as minhas gestantes, um plano B. Um médico de confiança para chamar no dia, caso o plantonista não for o ideal para você. Como fazer isso? Procure indicações dos médicos a favor do parto natural na sua cidade, as Doulas são ótimas para isso.

 Marque consulta com um desses ou alguns desses, diga que você quer ter um plano B, qual o honorário deste médico, as formas de pagamento, se ele estará disponível se você precisar e anote o telefone celular. Quando entrar em trabalho de parto, ligue para a maternidade para saber quem é o plantonista, e já pense se você vai arriscar ou encarar. Se chegar na maternidade e for um obstetra ruim ( as vezes as recepcionistas erram nos nomes dos médicos) chame o seu obstetra plano B, não aceita qualquer um.



O parto é SEU, é um momento único, especial, e você merece ter uma lembrança especial e não traumatizante!! Lembre-se, é o seu filho que está chegando ao mundo, traga-o de uma maneira especial, e não da maneira mais econômica.
Invista nesse momento, como você investeria em um casamento, festa de 1 aninho, batizado e afins!



E sempre, sempre tenha uma Doula!


Então? Quanto vale o seu parto?


Cris De Melo
Mãe & Doula!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Parto pode ser maravilhoso!!


É muito comum quando você fala que trabalha com partos naturais, quando você fala que vai fazer um parto natural e não uma cesárea, que alguém fale que você é louca. Além de te chamarem de alguma coisa negativa, ainda dizem que o parto normal não tem nada de normal.

Esses dias na cantina de uma maternidade particular ( eu como sou uma pessoa nada tímida kkkk) fiquei conversando com alguns profissionais da maternidade, uso uma camiseta com o meu logo de Doula e as pessoas sempre perguntam o que significa. Neste dia uma das profissionais disse ter feito um parto anormal, e ainda brincou: '' A Cris vai brigar comigo!". E eu disse que não, porque eu também já vi parto anormal!
Seria hipocrisia dizer que todo parto é lindo, porque nós sabemos que muitas mulheres sofrem e muito, sem necessidade alguma. Profissionais sem um pingo de bom senso, de carinho, tratam as parturientes como '' só mais uma'', e erram tanto no atendimento a essas parturientes que acabam em tragédias.

Esse é um dos motivos que leva as gestantes a marcarem cesárea, a pagar, pegar empréstimoooos para fazer uma cesárea particular. O medo de sofrer, o medo de algo dar errado, sabendo que poderia muitas vezes ter sido evitado. Gente, a vida é feita de riscos, tudo na vida oferece riscos, e existem infelizmente fatalidades, mas muitas tragédias em partos poderiam ter sido evitadas.

Mas é importante saber que o parto PODE E DEVE ser um momento maravilhoso, transformador, incrível e inesquecível!!!! Para isso é muito importante que a gestante se informe durante a gravidez, informe-se qual a melhor maternidade/hospital para parir ( eu aconselho o parto em casa, com certeza o atendimento será bemmmmm diferente.) Tenham um médico a favor do parto natural, e não um médico que diz '' Ah querida, no final da gestação a gente decide!!" NÃOOOO Sr. Doutor o certo é você dizer " Não se preocupe, você tem tudo para ter um parto natural."

 Livrem-se de obstetras da adolescência, já cansei de ver mulheres caindo em cesáreas sem necessidade, mal indicadas porque não queriam trocar de médico. Esse momento é de vocês, tenham tempo para fazer essas decisões, procurem uma Doula experiente na sua cidade, pesquise sobre ela, veja as referências, façam as escolhas CERTAS!

Não, nada disso vai garantir um parto maravilhoso, na vida nada é garantido, e Obstetrícia é uma caixinha de surpresas! Mas TUDO ISSO diminui e muitoo as chances de terem uma experiência traumática!
Prepare-se para o parto, estar informada de como o processo do parto funciona evita com que a gestante vá muito cedo para maternidade e sofra várias intervenções desnecessárias, estar preparada, ter alguém preparado ao seu lado faz com que o trabalho de parto seja mais rápido e fácil.

Esse post é para conscientizar as mulheres que o problema não é o parto normal, e sim o péssimo atendimento que a grande maioria das mulheres recebem no Brasil. Se o atendimento ao parto melhorasse em nosso país, com certeza as taxas de cesáreas diminuiriam, inclusive no SUS onde várias mulheres hoje já conseguem agendar a cirurgia!



Leia, informe-se, invista, prepare-se e tenham todas um parto maravilhoso!

Na foto: Regiane, Mãe do Lucas ( parto hospitalar traumático) e Mãe da Nicole ( parto hospitalar mágico).

Relato do parto dela: http://crisdoula.blogspot.com/2011/04/relato-do-parto-da-regiane-por-ela.html

Texto escrito por Cris De Melo, 
Doula!

As necessidades básicas da parturiente!



Algumas condições externas que devem ser respeitadas para o bom procedimento de um parto ativo.
Um parto normal acontece sozinho, guiado pelo próprio corpo. Rompimento da bolsa, dilatações, contrações são ações involuntárias do corpo, que acontecem devido a informações enviadas pelo cérebro. E como o cérebro envia informações ao corpo? Através dos hormônios.

O trabalho, portanto, pode ser compreendido fisiologicamente como uma cadeia sutil de hormônios, que vão acionando um ao outro e conduzindo ao parto/nascimento. Quem comanda todo esse processo é a estrutura primitiva do cérebro, chamada de “sistema límbico” e composta pelo hipotálamo e hipófise. São as estruturas que temos em comum com os cérebros de todos os outros mamíferos. Durante o trabalho de parto, como em qualquer outra experiência sexual, as inibições que podem acontecer no processo provêm da outra parte do cérebro, a mais moderna, denominada córtex ou neo-córtex. Muito desenvolvida nos seres humanos, essa parte do cérebro correspondente a atividade intelectual e racional.

O obstetra Michel Odent identificou fatores que estimulam a atividade do neo-cortex, e que devem ser evitadas para permitir que o cérebro primitivo funcione sem impedimentos e assim favorecer o trabalho de parto. Essas são necessidades básicas muito simples, mas fundamental que sejam respeitadas. São elas:

LUZ: luzes fortes estimulam o neo-cortex, e isso é já bem claro aos técnicos que realizam eletro encefalogramas. Um parto que ocorre na penumbra, portanto, tende a ser facilitado.

LINGUAGEM: A linguagem racional é um processo intelectual comandado pelo neo-cortex. Portanto, perguntar à mulher durante o trabalho de parto qual é o seu número de telefone ou a que horas fez xixi, por exemplo, obriga que ela raciocine, acionando o neo-cortex e consequentemente atrapalhando a ação do cérebro primitivo e o trabalho de parto. Melhor não recorrer à linguagem verbal a uma mulher em trabalho de parto.

PRIVACIDADE: todos sabemos que quando nos sentimos observados temos a tendência de corrigir nossa postura, e isso representa acionar o neo-cortex. Quanto maior privacidade, melhor para que o trabalho de parto proceda bem. Odent inclusive chama atenção para a posição onde a parteira/ doula/ médico se encontra no momento do parto (na frente ou atrás da mulher), e para as fotografias e filmagens nesse momento.

NECESSIDADE DE SENTIR-SE AO SEGURO: A adrenalina aciona um estado de alerta que inibe a liberação dos hormônios necessários ao parto. Todas as situações em que a mulher se sente em risco liberam adrenalina vão dificultar o parto. A presença de pessoas com quem a mulher se sinta segura, portanto, é fundamental para facilitar o trabalho.

FOME E ADRENALINA: O medo faz aumentar o nível de adrenalina, mas a fome também. Depois de comer todos ficamos mais calmos.

 A TEMPERATURAtambém influencia na taxa de adrenalina: um ambiente frio tende a aumentar a taxa de adrenalina. A mulher em trabalho pode comer se sentir necessidade, e os que estão acompanhando o parto devem cuidar para que o ambiente esteja bem aquecido.

Um parto ativo será beneficiado se essas necessidades básicas da parturienteforem respeitadas.
É importante lembrar que o cérebro reconhece apenas os hormônios produzidos pelo próprio corpo. Hormônios sintéticos não produzem os mesmos efeitos, e podem atrapalhar a delicada seqüência entre eles.

Brincar de jogar o bebê para cima pode ser perigoso!

Mãe brincando de jogar o bebê para o alto
Como é gostoso ouvir uma gargalhada de um bebê que é jogado para cima e volta para as mãos seguras da mamãe, do papai ou de quem quer que seja que esteja cuidando do pequeno. A vontade é de gargalhar junto. Essa brincadeirinha que parece tão inofensiva pode não ser tão tranquila assim. Calma. Vamos explicar. Principalmente até os dois anos de idade, a cabeça das crianças é grande em relação ao seu corpo e os menores ainda têm o pescoço mole, sem a musculatura bem desenvolvida. Ao fazer um movimento de jogar para cima e depois pegar ou movimentos bruscos, como chacoalhões ou sacudidas, faz com que o bebê realize um movimento extremo de aceleração e desaceleração da cabeça, podendo ocorrer graves lesões cerebrais e, em casos raros, até a morte. Existe até um nome para isso: Síndrome do Bebê Sacudido (SBS).


Entre o cérebro e o crânio da criança existe um pequeno espaço para o crescimento e desenvolvimento da massa encefálica. Quando se sacode a criança, o impacto pode provocar lesões e o inchaço do cérebro. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (EUA, 2007), de 25% a 30% de crianças vítimas dessa síndrome morrem e apenas 15% sobrevivem sem qualquer sequela. Podem ocorrer hemorragias cerebrais e oculares que podem levar a cegueira, convulsões, vômitos, letargia, retardo mental, problemas motores e até paralisia e dificuldade de aprendizagem.


Além de brincadeiras inocentes, a SBS pode denunciar maus tratos por parte dos cuidadores. Alcoolismo do adulto, pais muito novos e estresse podem ser um dos fatores que levam o bebê ser sacudido violentamente. Um dos gatilhos mais fortes para os chacoalhões é o choro prolongado dos bebês. Os pais não conseguem confortar o bebê que chora normalmente de duas a três horas por dia e na tentativa de cessar o choro sacode a criança bruscamente.
Existe outro motivo aparentemente inofensivo que pode ser perigoso: quando o bebê engasga. Na tentativa do bebê soltar o leite e fazê-lo respirar novamente, os adultos sacodem o pequeno desesperadamente. Caso isso ocorra, vire o bebê de lado com a cabeça um pouco mais abaixo que o tronco.


Nesse caso, prevenir é o melhor remédio. Evite brincadeiras que coloquem seu filho em risco. Nunca o jogue para cima, brinque de cavalinho com movimentos bruscos ou chacoalhe para chamar a atenção. Ninar, balancear e fazer carinho, sim e sempre.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Arquivo pessoal!


 Hoje fui editar a página do blog '' Porque me tornei Doula'' e vou dividir com vocês essas fotos, elas são a foto do nascimento da Sofia, por cesárea dia 30 de abril de 2007!
O tempo passou muito rápido desde então, e eu me lembro de cada segundo daquele dia, todos os sentimentos, e depois toda a dor que senti!



Hoje como Doula ainda encontro muito pessoas que falam que fizeram cesárea e que foi a melhor coisa da vida delas, que parto normal de jeito nenhum, e por eu ser nova elas dizem: " Quando você tiver um filho, você vai ver." E eu posso responder que eu tenho uma filha, nascida de cesárea e que para mim não NADA de maravilhoso! A cirurgia me incomodou, sentir alguém me virando de dentro pra fora, você não sente dor, mas tem a sensação agoniante de que estão mexendo. A pressão que te deixa sem respirar antes de tirar o bebê, a agonia de ouvir o choro do seu filho e não conseguir ver nada!!!!!!
Deus, O QUÊ pode ser maravilhoso em uma cirurgia?????? Apenas uma coisa, quando ela È necessária!!!!

Quando ela serve para salvar vidas!!!!! Não foi o meu caso!

 É tão triste essa ilusão que as mulheres tem, se elas soubessem como é maravilhoso o processo
do trabalho de parto, que com uma equipe a favor do parto natural, parir é uma experiência que transforma! Escolher uma cesárea é abrir mão de algo mágico, algo que fortalece, que ensina e que traz o seu filho para perto de maneira saudável. Depois do parto você caminha, toma banho, faz tudo que quer fazer. Na cesárea você espera 6, 8 horas para conseguir levantar da cama, depende de medicação para dor e de antiiflamatórios.
Nossa, eu falo demais hehehe eu só ia postar as fotos! Mas espero que isso possa abrir os olhos de algumas mulheres, que não exergam a cesárea como ela é, uma cirurgia!!!

Cris De Melo

Doula!

Palestra e Workshop com Dr. Michel Odent!!

Michel Odent, renomado obstetra frânces.
Olha eu posso dizer que sou privilegiada de ter uma foto com o Michel Odent. Quem trabalha nesse mundo de humanização e parto sabe que ele é um dos obstetras mais respeitados no mundo, e não é a toa. Ele é reconhecido internacionalmente, é o fundador do Primal Health Research Centre de Londres e o precursor do home-birth (parto domiciliar), das salas de parto à semelhança dos lares e da introdução das piscinas aquecidas nas maternidades. Autor de 12 livros publicados em mais de 20 idiomas e de mais de 50 artigos científicos na área.Autor do primeiro artigo científico sobre o uso das piscinas de parto, em 1993, e do primeiro artigo recomendando a lactação na primeira hora do nascimento.

A palestra e o workshop foram um aprendizado incrível, no primeiro dia, muitas coisas do que ouvi eu discordei e argumentei com outros profissionais.. quando cheguei em casa fui digerindo ( palavra que ele usa muito) e acabei concordando com várias coisas.

Aliás, no parto de ontem eu experimentei várias dicas dele e vi que foram maravilhosas, realmente funcionaram e com certeza continuarei usando. Uma das coisas que o Michel fala é que ele é contra fotos e vídeos durante o trabalho de parto e parto. O Flash e a filmagem podem fazer com que a parturiente se sinta observada, além de chamar atenção e tirá-la da partolândia. Por isso apenas vou fotografar quando a luz estiver adequada, sem o uso de flash e sem que a parturiente perceba ( mas sempre com a permissão dela antes do parto, claro.)

Outra coisa é a questão da presença do pai ou de qualquer outro homem durante o processo, ele diz que os médicos homens só deveriam entrar na sala quando o bebê estivesse realmente nascendo. E que os pais não deveriam estar no ambiente. Que quando ele acompanhava partos ele deixava apenas a parturiente e a Doula em uma sala, e quando fosse nascer a doula avisava. Ele é contra a presença do pai porque acha que a parturiente pode não se sentir a vontade de se soltar e agir por instinto, com medo do que o marido vá achar, medo de evacuar etc. A presença do marido deve ser escolha da gestante, mas achei super interessante isso e percebei que hoje em dia a pressão nos maridos é grande. Hoje nós muitas vezes praticamente obrigamos que o marido participe do processo ( nós mulheres), mesmo quando ele não se sente a vontade. Então mulheres, conversem com seus companheiros, e respeitem as vontades deles também. Eu como mulher, mãe e esposa também já estou revendo isso.

Ele também explica que o palavra chave é PROTEÇÃO, a parturiente precisa ser protegida no processo, para que possa parir por instinto e sem interferências de indivíduos.Ele ainda disse que os partos de hoje estão mais difíceis e não somente os hospitalares, os domiciliares também, e que o maior problema é a falta de conhecimento da equipe quanto a fisiologia do parto e de como se deve tratar uma parturiente.
O processo do parto é involuntário e que devemos interferir o mínimo possível, falar o mínimo possível e que a mulher não precisa de ninguém para parir. Ela precisa ser deixada em paz, ser respeitada e protegida!

Que para um parto ir rápido ela não deve liberar adrenalina que diminuiu a produção de ocitocina, e que elas devem deitar e descansar quando quiserem. Que parto ativo não é necessariamente manter-se ativa direto, e sim respeitar também o seu corpo e seu instinto. Uma grande surpresa foi quando ele disse que a mulher não deve comer muito no trabalho de parto e nem beber muito líquido, pois ela precisa manter-se relaxada, os músculos relaxados. Que a glicose dos alimentos pode ser prejudicial e que em grande quantidade pode até mesmo aumentar o risco do bebê ter icterícia e hipoglicemia. E o líquido em excesso pode diminuir a eficácia das contrações!!!!!! Por isso a parturiente só deve comer ou beber se tiver vontade!!

Lembrando o que nós já sabiamos mas que é muito importante que as pessoas lembrem, é que o escuro é fundamental, além de silêncio, calor ( ambiente agradável), tudo para desligar o neocórtex. Ela não deve também se sentir observada! Outra coisa incrível ( eu achei) é que as pessoas ao redor da parturiente devem estar tranquilas e calmas, caso contrário a adrenalina delas vai passar para a gestante. Segundo Michel a duração do trabalho de parto está intimamente ligada a adrenalina da equipe ao redor dela, inclusive da parteira e da doula.

Enfim, o cara é FODA! HAHAHA 
Não tem como colocar tudo que ele falou em dois dias aqui nesse post, mas citei algumas importantes que muitas pessoas ali não sabiam, inclusive outros profissionais e que até eu já falei aqui no blog.
Michel Odent, Thank you so much!
Equipe Hanami, Lígia e Sheila, obrigada por terem trazido esse anjo para Florianópolis!

Cris de Melo
Doula!

Novo vídeo do parto domiciliar da Julia!




Ela postou para dividir esse momento único, o vídeo esta lindooo!!!! Parabéns!!!
Beijão!


Cris De Melo
Doula!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Mecônio é sinal de sofrimento fetal??
















Muitas mães tem pânico em ouvir falar de mecônio. Mecônio é o cocô verde que o bebê libera nos primeiros dias de vida, e algumas vezes na barriga da mãe. Quem nunca ouviu uma vizinha contando que o bebê da sobrinha engoliu mecônio, que o bebê da neta aspirou mecônio, que o médico marcou a cesárea porque o bebê tinha feito cocô na barriga...

Vamos desvendar os mitos agora!
Há dois motivos para eliminação de mecônio durante a gravidez: MATURIDADE FETAL, porque o intestino está funcionando a contento, o que é um bom sinal, e SOFRIMENTO FETAL, porque quando o feto está mal oxigenado aumenta a contratilidade dos intestinos e relaxam-se os esfíncteres (como quando estamos em uma situação de estresse).Em um feto bem oxigenado, que elimina mecônio apenas porque está maduro, sua presença não traz maiores (aliás, nem menores) problemas. Esse feto maduríssimo e pronto para evacuar a cada instante também urina dentro da barriga. A urina é a principal fonte de produção do líquido amniótico, e quanto mais líquido mais fácil fica de o mecônio se diluir. Um bom volume de líquido amniótico indica que os rins fetais estão funcionando a contento, bem perfundidos (ou seja, o sangue chega lá e irriga bem os rins). Esse mecônio diluído dá o aspecto que chamamos de "tinto de mecônio" ou "mecônio fluido". Aí, também, sem repercussões desfavoráveis. 

Evidências ultra-sonográficas sugerem que o feto pode evacuar algumas vezes dentro do útero e, ao nascimento, encontrar-se líquido CLARO,Se o líquido amniótico está diminuído, não há como diluir o mecônio, aí temos o MECÔNIO ESPESSO, podendo mesmo assumir o aspecto característico de papa de ervilhas". A preocupação nesse caso é com o motivo pelo qual o mecônio está espesso, porque o líquido amniótico pode estar diminuído fisiologicamente no final da gravidez e nas gestações pós-termo (que ultrapassam 42 semanas) ou por insuficiência placentária, reduzindo o fluxo sanguíneo para os rins fetais.O risco de aspiração do mecônio e desenvolvimento de um quadro de pneumonite grave (Síndrome de Aspiração Meconial) é a maior preocupação nesses casos de mecônio espesso. Entretanto, o quadro só ocorre em bebês em sofrimento, que fazem movimentos de 'gasping' dentro do útero e, ao nascer, não têm os mecanismos fisiológicos para 'clarear' o mecônio. 

Bebês hígidos, saudáveis, podem até aspirar mecônio mas os mecanismos pulmonares normais entram em ação para eliminar esse mecônio.Concluímos, portanto, que o fundamental é distinguir se o bebê se encontra ou não em sofrimento. A ausculta dos batimentos cardíacos fetais (BCF) continua sendo a forma não-invasiva mais eficiente de se monitorizar o bem-estar fetal, podendo ser realizada de forma intermitente (com o sonar Doppler) ou contínua (pela cardiotocografia). Uma boa ausculta fetal durante o trabalho de parto é tranquilizadora. 

Se há alteração dos batimentos e a freqüência cardíaca fetal assume um padrão "não-tranquilizador", está indicada a antecipação do parto, que pode ser por cesariana ou, se o evento ocorre no período expulsivo, através de fórceps ou vácuo-extração.Alguns estudos apontam para um possível efeito benéfico da amnioinfusão(instilação de soro na cavidade amniótica por via cervical), no sentido de prevenir as desacelerações freqüentes nos casos de oligo-hidrâmnio, porém ainda não há evidências suficientes para apoiar sua indicação rotineira. De acordo com a revisão sistemática da Cochrane, o procedimento pode levar a redução das taxas de cesariana por 'sofrimento fetal'. E

Esse texto foi escrito pela Dra. Melania Amorim, Obstetra  completamente a favor do Parto Humanizado.

Cris De Melo
Doula!

domingo, 17 de julho de 2011

Relato do Parto domiciliar da Julia.






Dois meses se passaram e ainda tenho muito desejo de falar do nosso tão sonhado e planejado parto. Quando me reporto a ele, vêm as inúmeras lembranças de aconchego e o desejo de que tudo desse certo. Eu e o Eduardo sempre soubemos que nosso amor era digno de um filho que representaria toda a imensidão e a completude daquilo que vivemos. Minha gravidez foi anunciada e vivenciada com muita alegria, reverenciamos cada instante com muita intensidade. O desejo era de fazer desse momento uma marca em nossa trajetória, gostaríamos que Caetano soubesse que estávamos prontos para recebê-lo com todo nosso amor, com todo nosso aconchego. Acho que foram os anjos que me conduziram a pesquisar muito, foi quando comecei a me informar acerca da humanização do parto. No início  da gravidez, tivemos uma consulta com uma médica vinculada ao nosso Plano de Saúde; já nesse dia, ela foi logo avisando que só faria um parto normal se a  gestação fosse até a 40ª semana, inquietei-me com isso e fui logo encontrar outras indicações de médicos mais humanizados. Recebi um e-mail indicando a Drª Roxana e a Equipe Hanami, também consegui o blog da doula Cris. Dessa forma, fui entrando nesse mundo tão magnífico acerca da humanização do parto, fui entendendo como a natureza é  PERFEITA e  gostaria que qualquer decisão considerasse tamanha perfeição. E assim fui seduzida a parir em casa. Tivemos um encontrão com a Equipe Hanami, onde tiramos todas nossas inquietações e saímos decididos que era esse o nosso caminho. Na 38ª semana, a Joyce e a Renatinha fizeram a primeira consulta; nessa semana, eu já percebi que Caetaninho estava pertinho. Mas confesso que não pensava muito como seria o parto, trabalhava, trabalhava... Na 39ª semana, após muita insistência de meu marido e da minha mãe, resolvi parar de trabalhar, afinal ainda faltava terminar algumas coisas. Nessa semana, tivemos outra consulta com a médica e dela escutei: “É impressão minha ou sua barriga abaixou?”. Que susto escutar isso, percebi que agora sim estava chegando a hora. Ela ainda completou: “Caetano, me deixa descansar uns dois dias!”, pronto! Não tive dúvida, Caetano estava próximo. Assim, no dia 12/05, tivemos a segunda consulta com a Equipe Hanami, estava curiosa em conhecer a Vânia, encantei-me com o olhar carinhoso da Tânia. E assim foi uma longa conversa, alguns apostavam na lua cheia que estava para chegar... um certo “friozinho na barriga”. Queria terminar tudo (sempre fui daquelas que deixa tudo para a última hora). Vânia, ao sair, disse: “Marcamos então para a próxima quinta, se ele não chegar antes”. Diante dessas palavras, tive uma sensação de que não haveria outra consulta.
Um passeio na praia... Ondas anunciavam um ritmo perfeito, um ar diferente, cheiro de MUDANÇA entrava no meu ser e um INSTINTO fez com que eu pronunciasse para meu marido: “Du, sinto que está muito próximo”.  Dia 14/05, acordei muito estranha, um cansaço no corpo, recorri às águas de um banho quente e, quando percebi, já chorava, nem sabia o porquê. Meu instinto anunciava que eram os primeiros sinais. À noite, uma pequena confraternização de pipoca... Estava inquieta e mal conseguia dormir. Uma cólica leve... Às 4h do dia 15/05, uma cólica mais forte anunciava o início de um lindo dia, fiquei sozinha a pensar “Será sinal?”, inventei de olhar o relógio e tentar contar, aqueles ponteiros caminhavam e eu não entendia nada, fiquei confusa. Acordei o meu marido e pedi para que ele tentasse contar. Ele disse haver certa regularidade entre as contrações. Logo após, o tampão se desprende. Confirmado, ele estava chegando!  Liguei para a Vânia e ela me disse que a Renatinha iria me examinar. Liguei para a doula Cris, ela me recomendou que tentasse dormir. Renata chegou, seu ar de serenidade me anunciava que estava no primeiro cm de dilatação. Recomendou tomar banho quente e voltar a dormir. A ansiedade me tomou, meu parto estava ali, tantos dias sonhando, pensando e agora sim era o momento de aproveitar cada momento. E foi assim que o sono não veio...
Tomei um café da manhã, mas já não conseguia ficar parada, precisava caminhar, meus passos se deslocavam por todos os cômodos da casa, enquanto isso minha mãe já  anunciava para minha irmã que o seu sobrinho estava a caminho. Ela deslocou-se de São Francisco do Sul para acompanhar o parto – mais tarde, descobri que ela havia feito um acordo com o pequeno Caetano para que ele viesse na semana que iniciava, já que ela viria para ficar com a gente, e tirar nossas últimas fotos. As contrações se intensificaram e, como as águas são sempre meu refúgio, foi a elas que recorri, num breve banho.
O tempo entre as contrações diminuíram e, assim, pedi para chamar a Renatinha. Ela logo chegou, seu carinho sempre me acalmou. A doula Cris também ligou e disse que já estava vindo.  Não havia posição que me acalmasse...
Descobri então a bola e lá fiquei, com ela pude relaxar nos movimentos que uma mãe-dançarina agora passava a descobrir. Massagens nas costas, palavras de conforto e silêncio. Por vezes, sentada na bola e encostada na cama, deparei-me com meu próprio silêncio – estava agora prestes a ouvir o ritmo que embalava aquele acontecimento. Percebi a contração como uma música – um pouco intensa, na verdade – que tinha melodia, harmonia, início, o refrão e o fim. Na bola, percebi o movimento da casa; minha irmã chegava, trazendo um cachorrinho de pelúcia para o Caê e brincando comigo. Naquele instante, me senti acolhida por todos, marido, mãe, sogra e maninha. Ainda na bola, almocei. Caminhei pela grama do quintal com a Cris, meus gatinhos me circulavam e lá senti um vento que dizia: “Caetano vai te ensinar”. Mas senti a dor forte e perguntei: “Essa dor aumenta?”; percebi então que Renatinha e Cris, ficaram meio desconcertadas para responder. Pensei mais uma vez: “Caetano vai te ensinar!”.
Voltei para a bola, certa inquietação me acenava. Renata então pediu para me examinar, ela nem disse o quanto de dilatação naquela hora. Pensei: “Tanta dor pra nada, aposto!”, mas resolvi nem perguntar, isso iria me deixar nervosa. Pediu para que eu fosse para o chuveiro.
E agora, sim, as águas confortaram minha alma. Edu foi comigo e ficou junto. Eu, sentada na bola deixando com que a água escorresse pelo corpo, ele de pé, segurando minha mão e cantando. Músicas do nosso casamento, agora anunciando pela sua voz um novo ENCONTRO: “Tudo o que move é sagrado, e remove as montanhas com todo cuidado, meu amor. Enquanto a chama arder, todo dia te ver passar, tudo viver ao teu lado com o arco da promessa, do azul pintado pra durar...” (Beto Guedes). Uma chama realmente acenava no meu corpo, uma chama de fogo que queimava minhas costas e eu já me sentia muito presente. Foi preciso manter meus olhos fechados, sentir, ouvir, imaginar, não queria me desequilibrar. A dor era dor mesmo, não tinha conforto, não tinha trégua. Era preciso encontrar em cada instante minha força. Confesso que naquele instante um medo começou a me tomar, um medo de não conseguir parir em casa, de o nosso sonho desmanchar-se, de eu não conseguir aguentar um parto sem nenhuma analgesia. Imaginei as ondas que a Cris me anunciava serem as contrações. Por vezes, estive naquele mar de que tanto falavam. Mas a dor era mais forte do que as ondas... Não conseguia transmutar o sentido da dor dizendo: “São ondas, são contrações”...Não! Era uma dor forte que queimava as costas e me embriagava. Comi chocolate, tomei florais, enfim fiz um banquete debaixo do chuveiro. Ficamos ali por muito tempo e só me dei conta da duração quando meu marido disse: "Vou acender a luz do banheiro" – descobri que tínhamos ficado quase quatro horas debaixo da água. Já caía a noite, e escutar as outras vozes que compunham esse cenário foi uma alegria, chegavam Tânia, Joyce e Vânia.  De olhos fechados, com aquela água quente, antes dela mesmo falar, já senti a sua presença. “E aí, minha querida” – disse Vânia. “Eu não consigo transpor a sensação da dor” – disse eu a ela. Ela respondeu: “Então faça da dor a sua aliada, ela não será maior que isso que está sentindo, chame-a porque ela trará o Caetano para seus braços”. Fizemos uma respiração e chamamos a dor que anunciava o Caetano. Foram sábias as palavras que confortaram esse momento. Neste instante, percebi o quanto podemos mudar de foco/pensamento em relação à dor. Enquanto isso, Tânia e Joyce montavam a banheira. A casa toda estava num clima descontraído, estavam rindo, brincando...
Vânia me examinou: 5 cm de dilatação. Pensei: “Poxa! Só!”. Ela então pediu para todos saírem, queria ficar sozinha comigo no quarto. Perguntou-me: “O que está havendo? Do que está com medo?” Ali, pude contar-lhe do meu medo, o de não aguentar. Ela assegurou-me que eu saberia o que fazer. Ali, fez mais um toque e 7 cm de dilatação. Pediu-me para ir para a banheira para relaxar...

O Du já havia escolhido músicas que eu gostava e quando cheguei na sala encontrei uma paz jamais sentida. Uma penumbra, uma música instrumental do Sérgio Tatit (palavra cantada instrumental) e minha alma já dizia: “Encontra sua paz”... Uma alegria transbordava do meu peito, o Du me abraçava e pude sentir nós três num elo jamais sentido. Tive a sensação de relaxar tanto que parece que dormi (mas no final, nem sei o que aconteceu).  Chorei de emoção quando ouvi a música que dancei quando estava no quinto mês de gestação. Pensei: “Você embalou-se em vários espetáculos na mesma música que agora vem para mim”. Acompanhando essa paz, chega a Roxana com um olhar fraternal, no tempo/espaço certo; minha alegria foi grande quando senti sua mão e pude olhar para os seus olhos. Naquela banheira, fiquei durante mais um tempo e, num silêncio, senti a presença de todos naquele espaço. Quando abri meus olhos, vi minha mãe, Roxana e a Cris, encostadas na banheira, me olhando – foi uma imensidão nos olhares. Por um instante, ouvi uma voz calma e serena que assoprava meus ouvidos, completando ainda mais minha paz: Tânia estava ali, acalmado-me e dando a certeza que tudo estava certo.

Pediram-me então para sair, achei estranho, não entendi o que estava havendo. Fui para o banquinho, de cócoras, e lá a Vânia me avaliou. Senti alguma coisa estranha, e me avisaram que o colo do útero não havia se desprendido totalmente. Neste instante, o desespero me atormentou, quase pedi para me levarem para o hospital, para aplicarem qualquer analgesia que me arrancasse aquela dor. Fiquei por um triz, mas por um segundo cenas trilharam o meu pensar: imagens do Du, o som do coração do Caetano, toda minha família e todo o empenho da equipe, tudo fez arrancar de mim uma força que jamais imaginaria ter, afinal estava no final e se cheguei até ali Caetano ia vir pela mesma força... Joyce me afagou nos seus braços e ali ficamos por alguns instantes. Ali, escutei palavras de conforto, clamei pelos anjos e senti uma energia cósmica que anunciava o possível. Roxana aplicou-me uma sessão de acupuntura...
Pediram-me para caminhar no bairro. Eu, Du, Tânia e Cris, em plenos 9 cm de dilatação, caminhamos em silêncio, ouvindo o vento que adentrava as ruas do bairro Daniela. Vi a lua e senti um elo, uma certeza de que eu e Caetano faríamos esse ENCONTRO acontecer. Caminhando, percebi que ele se encaixara mais, um deslocar louco e uma pressão enorme. Avisei: “Caetano chegará ao mundo na rua, é melhor voltarmos”. Elas riram... Demos uma volta no bairro e retornamos. Quando cheguei, um chá feito pela Roxana, bem quentinho e pronto para me ajudar, me aguardava. Uma parceria indescritível de todos, sentia uma energia de mulher no espaço, uma força me tomava...
Depois, mais uma avaliação. Ali, precisei encontrar essa força. Vânia e Roxana aguardavam-me no quarto. Ali, encaixaram o pequeno Caetano e ajudaram o colo a se desprender totalmente. Elas diziam: “Se deixarmos, você terá mais quatro horas de trabalho de parto". “Meu Deus”! pensava eu, já muito cansada e sabendo que não aguentaria mais tempo. Encontrei a força no âmago de mim mesma e disse: “Vamos, podem fazer o que quiserem”. Mais banquinho e já anunciavam que estava coroando. Que alegria saber que ele estava tão perto. Mais chuveiro, e uma irritação me tomava, não sei explicar... Saí e fui direto para a banheira.
Ali, senti toda a energia, a alegria a anunciar que agora sim estava prestes a receber o meu pequeno Caetano nos braços. Senti-me num mundo indescritível. Ouvia as vozes delas, numa harmonia, como um canto de mulheres trazendo-me uma energia incomensurável. Eu e o Caetano, estávamos só nós dois naquele mundo. Ele me disse: “Agora estamos preparados, MÃE”; eu dizia: “Eu quero te trazer ao mundo”; e ele já acenava no meu corpo a sua chegada. Um ENCONTRO num mundo em que jamais havia estado. Ali, todo grito, toda força, toda alma postos numa só prontidão. Diziam: “Grite, clame por seu filho Julia”. Como foi bom ouvir isso!
Assim, anunciando um novo ciclo, o começar um novo dia, às 00h03min do dia 16/05, Caetano Terra acenava os seus primeiros instantes nesse mundo.
Num misto de dor, alegria, prazer, cansaço e ternura, Caetano chegara ao mundo, no canto enérgico das mulheres, no desabado choro do meu marido, nas palmas de minha mãe, na alegria da minha sogra e no “bem-vindo, Caetano, ao mundo” da minha irmã. E eu que nem me dera conta de que ele já estava na água. E, quando vi, já estava com ele nos braços. Seu choro, seu olhar, um elo indescritível. Tal momento me assegurou que agora, sim, eu vivenciara um DIVINO TRANSFORMADOR ENCONTRO. Tão belo que, se pudesse, teria pairado por todo o resto da minha vida...
Obrigada é pouco para anunciar a gratidão desse momento: as mãos, as palavras, os olhares, o carinho e a competência dessa equipe de ouro que garantiu todo esse sublime momento. Como não agradecer e desejar que futuramente tantas mulheres possam confiar-lhes os seus partos e fazer desse momento mágico o fiel de toda TRANSFORMAÇÃO, mostrando a capacidade a todas elas de (re)encontrar-se, deparar com as suas próprias naturezas, cujas forças são inexplicáveis e garantem um BELO NASCER.

   
10/07/2011 - Relato escrito por Julia Terra, mãe do pequeno Caetano Terra- 54 dias.
http://julia-caetaneando.blogspot.com/2011/07/relato-de-parto.html?showComment=1310944946628#c5208658445281472200

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Hoje e amanhã com Michel Odent!

Hoje e amanhã estarei participando de palestras e Worshop com o renomado obstetra Frânces Michel Odent. Para quem não o conhece aqui vai um pouco sobre ele: Obstetra francês reconhecido internacionalmente, é o fundador do Primal Health Research Centre de Londres e o precursor do home-birth (parto domiciliar), das salas de parto à semelhança dos lares e da introdução das piscinas aquecidas nas maternidades. Autor de 12 livros publicados em mais de 20 idiomas e de mais de 50 artigos científicos na área. Autor do primeiro artigo científico sobre o uso das piscinas de parto, em 1993, e do primeiro artigo recomendando a lactação na primeira hora do nascimento.


Foi ele quem criou o nosso tão adorado ''Parto na Água''. Por esses compromissos estarei ausente durante o fim de semana, retornando apenas no domingo.
Bom fim de semana a todas!


Beijos
Cris De Melo
Doula!