terça-feira, 14 de junho de 2011

Como se preparar para um parto natural?


Postado por Priscila Rezende- Todos nós conhecemos ao menos uma pessoa ou já acompanhamos nos notícias alguma celebridade que queria muito um parto natural e acabou sendo submetida à uma cesariana porque simplesmente "não foi possível". Pensando nisso e em como as mulheres são inocentes ou temerosas a ponto de ceder ao sistema obstétrico da forma como ele é, se deixando levar por opiniões médicas sem embasamento científico e que visam apenas a comodidade e o bol$o do profissional, vou falar hoje sobre como uma mulher pode se preparar para um parto natural. Não vou ensinar exercícios ou técnicas de respiração, mas vou usar a minha experiência para ajudá-las a escapar de algumas ciladas.

primeira dica é pesquisar o assunto, ler livros sobre o tema, ler blogs de doulas, profissionais ou mães militantes, participar de listas de discussão por e-mail, fóruns da internet e do Orkut. Mas, por favor, prefira fontes confiáveis, porque tem muita coisa espalhada pela internet, é importante filtrar. O ideal é pedir pra sua Doula te indicar os livros e sites!

segunda dica é conquistar o apoio da família, principalmente do pai do bebê. Assim como a gestante, o companheiro e a família devem estar a par da realidade brasileira e das dificuldades que as mulheres encontram quando desejam um parto natural. Devem entender que a cesariana tem riscos maiores do que os riscos do parto natural, tanto para a mãe quanto para o bebê e que existem muitos mitos sendo disseminados através do senso comum de indicações para cesarianas que não estão de acordo com as evidências científicas. Leia relatos de partos bem sucedidos para eles, assistam vídeos juntos. Se a sua família se mostrar radicalmente contra, de forma irredutível, saiba que muitas mulheres conseguiram parir sem o apoio da família, o ideal é que haja o apoio, mas o parto continua sendo seu, o corpo continua sendo seu e, desde a gestação, você é a mãe!

terceira dica é verificar se o seu médico realmente é um profissional que irá respeitar suas escolhas, que saiba acompanhar um parto natural, que acredite na sua capacidade de parir, que seja engajado no movimento de humanização do parto e nascimento. A gente já sabe que é difícil encontrar profissionais que se encaixem nesse perfil, ainda mais entre aqueles que atendem o parto pelo convênio médico, vide os números que apontam que apenas 20% das mulheres brasileiras conseguem parir com os custos cobertos pelo convênio médico. Existem listas na internet com os nomes e contatos dos profissionais nos quais confiamos. Novamente, o ideal é perguntar para as doulas da sua cidade e sinta-se confortável para mudar de médico, mesmo que esteja no final da gestação, afinal, quantas histórias nós conhecemos de mulheres que insistiram em continuar com o médico que já havia apresentado diversos indícios de que as encaminhariam para uma cesariana? Para a escolha da maternidade, vale a mesma regra. Aliás, sobre isso eu já falei um montão aqui no blog! Se você não vai poder contratar um médico, por que não ir para uma Casa de Parto? Que tal pensar no parto domiciliar? Uma coisa eu já adianto: vale à pena usar o pé-de-meia para pagar pelos profissionais que recomendamos.

quarta dica é procurar uma doula na sua cidade. Não necessariamente nessa ordem, muitas mulheres me procuram justamente antes de começar os passos anteriores, até para receberem uma orientação sobre o caminho que irão trilhar. A doula vai te acompanhar durante a gestação, te orientar, te apoiar, quanto antes encontrar sua doula, maior será o tempo de convivência entre vocês, mais estarão conectadas e ficará mais à vontade com a presença dela na hora do parto. Durante o trabalho de parto, sua doula ficará com você quantas horas forem necessárias, até o bebê nascer, te ajudando a lidar com a dor, utilizando métodos não-farmacológicos para alívio do desconforto das contrações, sugerindo posições, te encorajando e cuidando para que você tenha tudo o que precisa o tempo todo. Depois do nascimento do bebê, a doula poderá te ajudar com amamentação e até mesmo com os cuidados com o recém-nascido. Doulas são comadres de parto, amizades duradouras nascem como fruto desse contato durante esse momento tão especial!

quinta dica é entender a fisiologia do parto, saber o que vai acontecer na hora, entender todos os procedimentos que poderão ser sugeridos - ou forçados - à você na hora do parto, saber pra que eles server, como eles atrapalham e saber o que fazer para evitá-los. Por exemplo, a gente já sabe que aquele corte nada agradável que alguns médicos fazem na vagina da mulher alegando que irá facilitar a saída do bebê, a episiotomia, é desconfortável, aumenta as chances de infeção e, o principal, na maioria das vezes é desnecessária. Massagear o períneo, optar por uma posição vertical, respirar de modo que o bebê coroe e saia da vagina de forma lenta, são coisas que diminuem as chances dela ser necessária. O mesmo vale para ruptura da bolsa amniótica artificialmente, aplicação de soro de ocitocina sintética para aumentar as contrações, etc, etc, etc. Há muita informação sobre isso na internet e nos livros e, novamente, sua doula poderá te ajudar a elaborar um plano de parto no qual esteja explicitado o que você aceita e o que você não aceita.

sexta dica é acreditar em si mesma, no poder que você tem nas suas mãos, na perfeição da natureza e do seu corpo. Empoderar-se! Eu acredito que, para parir, não basta querer apenas não se submeter a uma cesariana e sim se apaixonar pelo parto natural, compreender a beleza do processo e querer ser transformada por ele. Aceitar a dor que poderá te acometer e entender que a dor é necessária acima de tudo para que você possa se "mamiferizar", se guiar pelos seus instintos!
É necessário também aceitar a possibilidade de haver alguma intercorrência e a necessidade de uma cesariana de real emergência para salva sua vida ou a do seu bebê e aprender a não se culpar caso isso aconteça.

Você pode encontrar a doula que atua na sua cidade no sitehttp://www.doulas.com.br/associadas.html

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