sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bebês que nascem de cesárea têm 58% mais chances de serem obesos


Crianças que nascem de cesárea teriam 58% mais chance de se tornarem obesas na idade adulta do que as que passaram pelo parto normal. A conclusão é do estudo conduzido pelo pediatra por Marco Antônio Barbieri, professor do Departamento de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, em São Paulo. A pesquisa começou ainda em 1978 quando o especialista e sua equipe criaram um banco de dados com informações de mais de 6 mil recém-nascidos na cidade.
A segunda fase do estudo foi feita quando as crianças estavam com cerca de 8 anos. A coleta de dados se repetiu quando eles completaram 18 anos e, finalmente, 24 (nesse momento, 2.057 pessoas continuavam participando do estudo). Foram cerca de 12 mil avaliações ao todo desde o nascimento, que permitiram uma série de pesquisas no Brasil e no mundo. Dentre os vários tópicos analisados, chamou a atenção dos pesquisadores uma possível relação entre o tipo de parto e o desenvolvimento de obesidade.
Baseado em outros trabalhos, a equipe levantou uma hipótese para explicar esse fenômeno. De acordo com a gastroenterologista pediátrica Helena Goldani, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a literatura científica mostra que a microbiota, isto é, as bactérias do intestino, das crianças que nascem de parto normal e cesariana são diferentes. E isso acontece porque durante o parto normal, o bebê passa pelo canal vaginal e tem contato com muitas bactérias. Outro estudo mostra que quanto mais contato com bifidobactérias (bactérias que vivem no intestino) a criança tiver no primeiro ano de vida, menores as chances de se tornar obesa aos 7 anos. Isso também pode acontecer por meio da alimentação, já que ela está presente no iogurte, por exemplo, e outros alimentos têm a capacidade de aumentar o número delas no organismo (como é o caso da aveia, banana, leite e mel).
Relacionando todos esses trabalhos e os dados que levantaram, os pesquisadores acreditam que a explicação pode estar relacionada ao sistema imunológico. A obesidade se desenvolve mais facilmente em crianças com organismo com baixa defesa, por isso, quanto mais contato com diferentes bactérias, mais forte se torna a imunidade ao longo da infância. Assim, essa transferência entre certos tipos de bactéria que ocorre durante o parto vaginal também seria importante. 

“Mas esse dado está é apenas uma hipótese", diz Marco. "Estamos preparando um estudo maior que vai considerar questões como o peso das mulheres antes de engravidar, o desenvolvimento intrauterino, amamentação e os hábitos alimentares das crianças durante os primeiros anos de vida.” 

O que todos concordam é que, independente disso tudo, o parto normal, quando viável, ainda é a opção mais saudável para a mãe e o bebê.

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