terça-feira, 15 de março de 2011

Que saudade do meu barrigão!


De vez em quando eu fico revendo as fotos da minha gestação, desde criança sou apaixonada por grávidas e bebês, minha mãe que trabalhava na maternidade Carlos Corrêa, contava várias histórias e eu sempre fascinada. Toda vez que alguém da família engravidava eu festejava, e sempre que algum bebê nascia eu ia visitar.


Também cresci ouvindo as histórias de terror que a minha mãe vivenciava, como as freiras parteiras tratavam as parturientes, e as famosas frases '' Na hora de fazer você não gritou, então não grita agora.'' '' Se você não aguenta um toque, não vai aguentar o parto.'' Eu ficava tão triste. E eu ria quando ela contava o que ela fazia com as parteiras, tirando sarro na frente delas para descontrair as parturientes, como ela defendia aquelas mães e protegia contra esses abusos físicos e verbais.


Andrea, primeiro parto que acompanhei, aos 16 anos.
Quando eu tinha 16 anos tive a oportunidade de acompanhar meu primeiro parto, minha tia estava grávida do segundo filho, e seria mãe solteira, eu me ofereci ( acho que implorei) para que pudesse acompanhá-la, e ela deixou. Fiquei muito feliz, e fiquei o dia inteiro com ela na indução, e a noite toda, ele nasceu de Parto Normal as 3 da manhã ( 4,160 kgs), e só fui embora as 8 da manhã.


Briguei com o meu namorado ( Pai da Sofia) porque era dia dos namorados, e eu passei o nosso primeiro feriado acompanhando um parto hehehe, e eu não queria estar em outro lugar!!


Não é a toa que eu engravidei poucos meses depois, com 17 anos. Minha gravidez foi tranquila, nenhuma intercorrência ( além de um descolamento do saco gestacional no segundo mês).


Eu amava estar grávida, sentir o bebê chutar, fazer os exames e me sentia conectada com um universo feminino... era mágico!
Queria muito um parto na água, mas na época a minha obstetra disse que não tinha em Florianópolis, e ela disse que parto só de cócoras ou deitada.
Eu não tive nenhum apoio, meus pais não apoiavam o parto normal e a minha mãe já havia passado por 4 cesáreas ( o primeiro por falha na indução, na época não se fazia VBAC, então os outros já eram cesárea também).


Meu namorado também novo com 21 anos achava que o normal era cesárea. Eu estava naquela luta sozinha.
Com 35 semanas fiz o exame de streptococos tipo B, e deu positivo. A minha obstetra explicou que era uma bactéria agente da miningite, e que se a bolsa rompesse o bebê poderia se contaminar e morrer.Fiquei apavorada!
Perguntei se era mais seguro fazer a cesárea, e ela disse que sim, e que marcaria e eu teria que chegar 4 horas antes para receber o antibiotico. ( Infelizmente só depois eu fui descobrir que streptococos não é indicação de cesárea, e quando é cesárea eletiva, não é necessário antibiotico.)




A cesárea foi ''tranquila'' felizmente não tive nenhum efeito colateral da anestesia, que são efeitos tão comuns   ( rosto quente, coceira, tremedeira, enjôo e vômito.)
Ouvi o choro dela e chorei junto, imaginando como ela seria, já que eu não via nada através daquele pano. Estava aliviada, a minha cesárea 'necessária' tinha dado certo. ( Sofia veio ao mundo com 39 semanas).


Amamentei na primeira hora, e ela ficou comigo o tempo todo. Quando o efeito da anestesia começou a passar a dor veio, eu não aguentava e lembrava com raiva das pessoas que falaram que cesárea era modernidade, que não doía, etc. Eu pensava, 'quem pode querer optar por isso?' Como eu queria ter conhecido uma Doula naquela época ( Eu nem sabia que existia), teria feito toda a diferença conhecer alguém com conhecimento para me ensinar, me apoiar, e me ajudar durante o processo.


O primeiro mês foi difícil, amamentação foi super tranquila, Sofia era um bebê muito calmo e não chorava pra nada, nem parecia que tinha um recém-nascido em casa. Mas o meu psicológico não tinha assimilado o nascimento ainda. E eu chorava muito, sentia uma dor por dentro quando olhava essas fotos.
Era um sentimento de perda, como se eu tivesse perdido o meu bebê. Foi horrível, eu me sentia culpada por estar chorando, não entendia o que estava acontecendo comigo, e foi muito difícil.


E foi na internet que conheci pessoas que me ajudaram a entender tudo o que eu sentia, e foi na internet que eu ouvi pela primeira vez que eu tinha sofrido uma cesárea desnecessária. E eu agi como muitas mulheres aqui no blog, eu não admitia que ninguém falasse mal da cesárea... È, foi bem difícil.
Quando a Sofia fez 3 meses abriu o curso para Doulas em Florianópolis, eu queria muito fazer, mas ela mamava exclusivamente e eu não conseguiria atuar tão cedo, com um bebê tão novo. Adiei!
Com 10 meses comecei meu curso Téc. Enfermagem, conheci pessoas maravilhosas, aprendi muitoooooo e fiz estágios em vários hospitais ( inclusive na Carmela Dutra).


Nessa mesma época comecei a trabalhar na Clinica Santa Helena, e aprendi como as coisas funcionavam em maternidades particulares. Quando Sofia tinha quase 3 anos, fui para São Paulo e fiz o meu sonhado curso de Doula, voltei e já comecei a acompanhar partos, e não parei mais desde então.
Depois do curso já bati papo com a minha antiga obstetra, e ela admitiu que não gosta de acompanhar parto normal, que cesárea é melhor, pode marcar, é rápido e não bagunça a agenda do consultório...


É assim mesmo, vivendo e aprendendo, hoje a minha missão é ajudar outras mulheres com informação, apoio  e algumas técnicas, para que tenham um parto humanizado. É difícil, muitas vezes é sofrido, é muito preconceito de pessoas ignorantes que não sabem o que é Doula, as vezes presenciamos erros que por pouco não são fatais, e muitas vezes temos que engolir alguns sapos.
Mas eu sou uma pessoa que não desiste, e que acredita que pequenas coisas podem fazer toda a diferença, e que juntos, podemos mudar essa realidade.


Ps: Em 2012 eu engravido de novo =) E vou ter o meu tão sonhado parto na água!


Cris De Melo
Téc. Enfermagem,
Mãe & Doula!

5 comentários:

  1. Ai Cris! Pra que postar estas lembranças! Assim não vou parar de ficar barriguda, e o dindim tá curto, flor!Não faz assim, kkkkkkkkkkk. Pode me chamar pra te doular, rsrsrs

    ResponderExcluir
  2. Linda história, apesar dos pesares!!!
    Em 2012 (ou 2011 mesmo... quem sabe?!) também pretendo engravidar de novo e ter meu tb tão sonhado parto domiciliar na água!!!

    E vou precisar de uma doula/amiga para me ajudar, conheces alguma??? hehehe ;D

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  3. Oie gente,ahhhh eu morro de saudades tbm,e quero ter mais um filho, mas tenho que esperar a situação financeira estabilizar, e o trabalho tbm.
    Aqui em Floripa a minha doula amiga, vai parir em abril, entao tenho que esperar ela voltar a ativa pra eu poder engravidar kkkkkkkkk

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. linda cris!!!

    tô sonhando com a minha tb!!!


    :)

    ResponderExcluir
  5. eeeeebaaa!!! em 2012/2013 vai ter coleta de células tronco da Cris!

    ResponderExcluir