sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Relato de um parto desumano! Leia e veja o que fazer diferente!


Tenho no Orkut uma comunidade com mais que 1.000 membros que se chama '' Apoio a Gestantes de Parto Normal'', e lá posto várias dicas para mães, trocamos experiências, ajudamos e passamos bastante informação. Infelizmente no Brasil e no mundo todo, encontramos profissionais que nem deveriam ser chamados assim, médicos que deveriam ter se especializado em cirurgia plástica, que ganha bem e funciona sempre com hora marcada, e não obstetrícia.

Por causa desse tipo de profissional, mães sofrem todos os dias com partos desumanos, atendimento frio e calculista. Nessa comunidade uma mãe postou um relato desabafando como o parto dela foi, nada do que ela esperava. E o que ela aprendeu dessa experiência que ela quer compartilhar com as outras mães, e o que elas podem fazer para diminuir as chances disso acontecer com elas. Mariana, muito obrigada por me permitir postar o seu relato aqui.

Olá meninas, vim postar minha experiência:
Desde que descobri que estava grávida, até antes disso, sempre fui a favor do parto normal. Quando descobri que estava grávida, então, comecei a ler mais sobre o assunto, como me preparar durante a gestação e, principalmente: procurar um médico que me apoiasse. Moro em Matinhos, PR e a cidade mais próxima com recursos é Paranaguá (40 km) ou Curitiba (120 KM). Optei pela primeira, para poder voltar logo para casa. Minha ginecologista, super a favor do PN, mãe de duas filhas, estava deixando de ser obstetra ={. Me indicou o ÚNICO GO de Paranaguá que era a favor (de +/- 20 que tem na cidade). Um querido. Desde então falei para ele sobre minha decisão e somente por um motivo muito forte partiria para uma cesária. E ele sempre me apoiou, conversamos sobre a episiotomia, analgesia. Segundo ele, tudo isso ele só poderia avaliar a necessidade NA HORA do parto, mas muitas vezes não eram necessários, ainda mais que eu estava empenhada nos exercícios do períneo, caminhando bastante, alguns exercícios de ioga.. (tá certo que no começo a gente se empolga mais, mas até que me dediquei).
Passaram-se os meses, começou a chegar a hora, combinamos qual era o plano:
1) Ir para a maternidade com 3 contrações no intervalo de 10 minutos;
2) Ligar para ele de LÁ (erro!)
3) Maridão não era muiiito afim de assistir o parto, mas ficaria comigo no pré parto
4) Ganhar neném =)
No dia 09/12, consultas já ocorrendo semana a semana (DDP 14/12), ele disse que 13/12 faríamos mais uma avaliação... Dia 11/12 comecei a perder meu tampão, dia 12/12 me entupi de chá de canela, bolo com canela, sagu com cravo e canela.... Fui na praia, fiz exercícios... Já sentia algumas contrações desde o 7º mês, mas sem dor nenhuma.

Dia 13/12 voltei ao médico, preocupada com uma provável cesária, mas acho que ele partiria para uma indução no final daquela semana. Tb estava preocupada com a quantidade de líquido (botaram na minha cabeça ‘ cuidado com o líquido’, ‘ como está de líquido?’).. encuquei com isso e infernizei tanto a vida dele na consulta que ele marcou para 14/12 uma nova eco, para avaliação do tal líquido. Mas ele disse que a dilatação tava pequena e a bebê ainda estava alta (mas podia descer assim, de uma hora para outra).
Fui para casa, arrumei um monte de coisa, dormiiiiiiii, assisti sessão da tarde, fiz pão, comprei mais sagu e mais canela... 18:30h senti uma agulhada nas costas e uma cólica. Ui, será? +/- 19h de novo. Tomei café, vim na net ler um pouco sobre trabalho de parto.. 19:20h de novo. Ai. Falei para o maridão e começamos a contar o tempo, que começou a diminuir entre uma contração e outra. Mas nem liguei para o médico, não era esse o combinado. Tomei banho, fiz alongamento, massagem. Tava super tranqüila. Meia noite, já estava com mais contrações, +/- a cada 4 ou 3 minutos, resolvemos ir para o hospital.

Chegando lá, adivinha??????????? Alguém conseguiu falar com o médico??? Aí a atendente perguntou se eu queria o plantonista... Dã, claro né, queria ver se estava tudo bem, batimentos cardíacos. Chamaram o dito cujo, me levaram para o pré parto, ele chegou, (não perguntou nem meu nome), fez toque, escutou o coraçãozinho, olhou para a enfermeira e disse: prepara ela que vamos fazer uma cesariana. O QUE????? Exatamente, gritei O QUE?? Por que, perguntei? Ele: pq vc tem contrações, seu bebê é grande e está sem dilatação. Eu: claro né? Estou a 6 horas em trabalho de parto, é meu primeiro bebê, e pode demorar mais 6 (ou mais). Ele olhou para mim (aí perguntou meu nome): minha filha, saí da minha casa e vc não vai fazer o que eu te disse? Vc sabe que seu bebê pode sofrer e nascer com problemas? Comecei a chorar desesperadamente e pedi para falar com meu marido, que eles não tinham deixado ficar comigo. Falei para o médico que ele podia ir embora, a enfermeira só ficaria monitorando o coração e ele NÃOOO, grosso. Disse então para o meu marido iríamos embora, esperar até de manhã. Então, o Sr. Dr., dono da razão falou que podíamos induzir, para acelerar. De novo eu: POR QUEEE??? Vamos esperar.. Ele disse que então iria embora, e eu teria que ir também. E daí meninas, o que vcs fariam? Como eu poderia ficar tranqüila sabendo que estava em trabalho de parto sem saber como estava minha bebê. ( Na verdade não é induzir, é conduzir, aumentar as contrações para dilatar o colo do útero mais rápido. O ideal é enquanto mãe e bebê estiverem bem, deixar o trabalho de parto seguir naturalmente.)

Optamos em deixar ele induzir. Soro horrível. Mesmo assim, tiraram meu marido de perto de mim, e nós dois tínhamos certeza que ele ia fazer uma cesariana. Eu só pensava, pq vim tão cedo? Pq deixei ele por esse soro? Será que vou um dia ter um bebê de parto normal? Nessa hora, perdi totalmente a noção do tempo, as contrações estavam de minuto em minuto, muuuiiita dor, eu só pensava e conversava com a neném, que cada dor era o tempo diminuindo de eu tê-la comigo. Mas a dor era muito grande. (Acredito) que uma hora depois, o Dr. Grossão voltou, para medir batimentos e dilatação e, surpresa (para ele), estava com 7 de dilatação. Ele olhou para mim e disse: ‘ Nossa, dilatou!’, vamos chamar o anestesista. Pensei duas coisas: Viu como eu podia?? e, anestesista?? Vc perguntou se eu queria? Mas, nessa altura, se eu falasse alguma coisa, ia levar porrada e a dor tava taaaanta que passados 5 minutos já estava chamando o anestesista também. Mais uns 40 minutos, veio a enfermeira dizendo, ‘vamos’. E eu, ‘aonde???’ rsrsrsrsrs.. ‘Ter o seu bebê, ué’!!! rsrsrsrs até rimos na hora.
Chegando na sala de parto, o anestesista (um anjo!!!), perguntou meu nome e me chamou de corajosa da madrugada. Me explicou o procedimento, perguntei se ia doer. Ele disse, que perto do que eu estava sentindo, não ia doer nada.

Uma das enfermeiras me abraçou (queridas as duas), esperamos passar a contração, ele aplicou a anestesia (segundo ele, cortava 90% da dor). Aí, o anestesista (repito, um anjo), ficou verificando minhas contrações, para me pedir para fazer força, com espaço para me tranqüilizar e dizer que eu estava indo muito bem. Em 4 vezes, minha linda Cecília surgiu na minha frente, cortaram o cordão e me deram ela um minutinho (linda linda me olhando) para depois a pediatra a levar para os exames. O anestesista: Parabéns, Mariana! Agradeci enormemente e nos despedimos. O médico: Pronto, vc conseguiu seu parto normal! (EU SABIAAA QUE PODIA, MANÉ!!!) É mole? Depois vi, ele me costurando, percebi que ele tinha me cortado toda, muitos pontos. Levantou, pediu para a enfermeira me limpar e saiu. E eu? Nem aí mais para esse mala, só queria ver meu marido e ter minha filha comigo de novo. Fui levada para o quarto, a Cecília junto, já grudou no meu peito por 30 minutos e dormiu o longo sono dos recém-nascidos.
Realmente, minha bebê era grandona, maior do que o ultimo US mostrava: 4.080kg. Deu uma fratura de clavícula na saída, curada em 2 semanas (não me sai da cabeça que foi culpa do médico). Detalhe: No dia seguinte ele foi me ver, mas a única coisa que ele disse foi: vc viu que ela quebrou a clavícula? Vi e já vai sarar!

De fato não foi o parto dos meus sonhos. Não me deixaram andar, a dor foi muito mais intensa que se tivesse sido esperado naturalmente, fui cortada, um médico cavalo. Mas podia ter sido pior. Podiam ter feito uma cesária desnecessária.

Mas por via das dúvidas, para meu próximo bebê procurarei duas coisas: uma DOULA e UM LOCAL QUE APÓIE O PARTO NORMAL. O stress que passei não poderia ser sentido por uma mulher neste momento. Em Paranaguá não existe uma única doula sequer. Em Curitiba sei que existem algumas, mas vem o problema de ter que ficar fora de casa por uns dias, o que não me atrai nem um pouco. Depois de ler relatos aqui na comunidade, já cogitei até alugar algum lugar em Floripa para ter meu próximo bebê no HU. Mas, espero que até lá, alguma solução mais próxima do ideal já tenha surgido.

Tudo isso meninas, serviu para mostrar que num momento de fragilidade não temos a segurança que todos os médicos deveriam nos passar nem nossos direitos amparados.

E que bebê grande não é desculpa para cesariana.

No fim de tudo, estamos há quase um mês com a nossa linda em casa, com quase 5 kg a gorducha, muito felizes com nosso presente de ano novo e falando para todo mundo NUNCA procurar o tal médico, que além de tudo era um feio! Rsrsrsrsrsrsrs

Muitos beijos e alegrias a todas.
Mariana, mãe da Cecília!
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=52933829&tid=5560823157477534443

Ps: Outra coisa é que esse tipo de coisa acontece tanto em hospital público quanto PARTICULAR, então lembre-se que hospital particular não é garantia de atendimento de qualidade. Por isso eu SEMPRE recomendo, tenha um médico a favor do parto normal para atender seu parto, vale a pena, depois não tem como voltar atrás. E parto pode deixar cicatrizes no coração, vira trauma. E não é só parto, a cesárea que já é traumática e fria, com uma equipe assim, se torna um pesadelo maior ainda. E outra coisa que SEMPRE recomendo é a DOULA,
tenha sempre uma doula. O acompanhante muitas vezes fica tão nervoso, e ele não sabe se tal coisa é necessária ou não, a Doula vai trazer segurança e apoio. Não abra mão.

Cris De Melo
Téc. Enfermagem
& Doula!

5 comentários:

  1. Oi Cris!!Moro do ladinho de Matinhos,o que separa as duas cidades é uma baía linda onde a travessia é feita via Ferry-boat...então eu estava nessa mesma situação,mas pesquisei e ví que em Joinville Sc,têm duas Doulas e por indicação de uma delas(provavelmente a que me assintirá)conseguí um médico a favor do Parto Normal.Tbém terei que me deslocar(60km)mas não abro mão de ter uma Doula,ainda mais que provavelmente o parto será feito no Hospital da Unimed e sem Doula minha chance de cesária é de 99%,então nada feito!!!Mês que vêm terei minha consulta com ele e provavelmente com a Doula tbém!Será um esforço grandioso ter que sair do conforto de casa,mas tudo vale a pena para conseguir ter minha vontade,meu sonho,meu ideal respeitados!!

    Bjussss
    Flávia Borba
    Guaratuba-PR.

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  2. Oiiiiiii Flávia, nossa que coisa boaaaa ler isso, é realmente fundamental hoje ter uma doula para poder se sentir confiante e ter a segurança para parir naturalmente como todas as mulheres conseguem. Parabéns por procurar o melhor para você e seu bebê, e lutar por isso.
    Estou com uma paciente que mora a 1 hora de distância, e vai ter aqui na minha cidade, comigo, porque ela sabe que com o médico dela na cidade dela as chances também eram pequenas.
    Beijão, uma boa hora, e me avisa quando nascer =)

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  3. Muito bom depoimento! Tem que denunciar esse tipo de abuso; que absurdo! Em breve, espero, não teremos mais que passar por esse tipo de coisa!!!
    Um abraço.

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  4. Gente que triste :( Isso com certeza deveria ser denunciado. O problema é que quando passamos por algo assim ficamos tão assustadas que não temos força pra gritar. Tive 3 partos e só o último foi natural, os dois primeiros foram vaginais e com médicos cavalos insanos, o segundo me dilatou a força. Gostaria de fazer um exame de prostata nele! :p Desculpe a indelicadeza do comentário mas é muita revolta.

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  5. Nossa nenhuma mulher merece ser tratada assim na hora mais importante de sua vida!Graças a Deus apesar do meu pn ter sido induzido por motivos de morte intra uterina o plantonista que podia muito bem ser grosso ,pq estava nervosa gritando e chingando muito foi um anjo em minha vida me acalmava e em momento algum me deixou insegura me lembro que enquanto tirava a placenta ele conversava comigo pra me distrair enquanto q enfermeira levava meu filho embora pra nunca mais eu ver toda vez que o vejo o agradeço pelo carinho e atenção que teve !

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