segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Analgesia, sim ou não?


Muitas gestantes tem medo da dor e algumas decidem já na gravidez que vão pedir analgesia durante o trabalho de parto, eu não recomendo, sempre incentivo a continuar naturalmente porque a mulher é capaz de parir e lidar com essa '' dor '' de uma maneira diferente, não se focar nessa sensação, e apenas lembrar que o bebê já vai nascer e tudo acaba.

Mas também não sou contra, um trabalho de parto muito rápido, ou uma bolsa rota por muito tempo, uma mãe muito cansada, as vezes a analgesia pode até ajudar. Mas a opção pela analgesia deve ser da mãe, ela precisa ter certeza, e antes de escolher deve tentar todas as maneiras naturais de alívio como ex: banheira, chuveiro, bolsa térmica, massagem, visualização, respiração, posições diferentes, bola suíça, concentração, aromaterapia etc.

Resumo de uma revisão sistemática da Cochrane:
''A analgesia peridural fornece alívio da dor mais significativo que outras formas de analgesia não peridural. No entanto, as mulheres que receberam peridural apresentaram aumento da duração do segundo estágio do parto, aumento da necessidade de utilização de ocitocina e aumento do risco de parto instrumental. A duração do primeiro estágio do parto foi maior no grupo que recebeu peridural, porém essa diferença não foi estatisticamente significante. O aumento relativo na duração do trabalho de parto não pareceu afetar adversamente os desfechos perinatais avaliados nesta revisão. É necessário aplicar na prática este achado de alteração da dinâmica do parto. Deve ser uma decisão clínica se o aumento da duração do período expulsivo representa um prolongamento indicando parto instrumental. AS EVIDÊNCIAS APRESENTADAS NESTA REVISÃO DEVEM SER DISPONÍVEIS PARA AS MULHERES CONSIDERANDO ALÍVIO DA DOR NO TRABALHO DE PARTO. A decisão de receber uma peridural deve portanto ser tomada de comum acordo da mulher com o seu provedor.''

Após a analgesia a mulher não pode ficar muito anestesiada, e surge uma certa pressa em tirar o bebê, e consequentemente o útero contrai menos o que resulta muitas vezes em ocitocina. Muitos obstetras também preferem que a paciente não caminhe ou se movimento, resultando em um parto na posição tradicional ( deitada) que é a menos recomendada. Como a mulher pode perder a vontade de empurrar, o parto pode acabar com uso do fórceps.
Lembre-se que para receber analgesia a paciente é levada ao Centro Cirúrgico e o parto ocorre lá mesmo!

Por isso converse com o seu marido durante a gestação, pesem os prós e contras, para que no momento vocês não tenham dúvidas. Estudos internacionais mostram que investir numa doula no parto pode diminuir em 60% os pedidos de analgesia!!!!

Cris De Melo
Téc. Enfermagem & Doula
A favor da escolha consciente!



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