quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aumenta o número de bebês nascidos abaixo do peso!


Pesquisa observa maior número de crianças nascidas com baixo peso em regiões mais desenvolvidas. Estudo comandado por três universidades brasileiras relaciona aumento à elevação do número de cesáreas.


Quanto pior as condições financeiras da família, maior o risco do bebê nascer com baixo peso, certo? Um artigo publicado recentemente na Revista de Saúde Pública, desenvolvido por três universidades, surpreendentemente observou o contrário. Entitulado “O paradoxo epidemiológico do baixo peso ao nascer no Brasil” , a pesquisa mostrou que bebês nascidos em regiões mais desenvolvidas no país tem maior incidência de baixo peso (com menos de 2,5 quilos) do que aqueles nascidos em áreas mais pobres.

Para chegar a tal conclusão, pesquisadores de três universidades (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do Maranhão e USP de Ribeirão Preto) analisaram dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos entre 1995 e 2007. Tradicionalmente, era de se esperar que, principalmente por conta da dificuldade de nutrição da mãe, as crianças do Norte, Nordeste e Centro Oeste tivessem um peso menor ao nascer, mas não foi isso que a pesquisa concluiu, afirma a Heloisa Bettiol, da USP de Ribeirão Preto, umas das responsáveis pela pesquisa. A explicação do paradoxo, segundo a pesquisadora, tem a ver com três fatores:

assistência perinatal, que faz com que os bebês que provavelmente morreriam nasçam prematuros, portanto com peso menor; aumento do número de gravidez de múltiplos em áreas mais ricas por conta do maior acesso às técnicas de fertilização e, o dado que chama mais atenção, elevado número de cesáreas eletivas (aquelas em que as mulheres escolhem esse tipo de parto). Quando o índice de cesáreas ultrapassa o percentual de 35%, aumenta a incidência de crianças com baixo peso.

Isso porque a cesárea em muitos casos costuma ser agendada algumas semanas antes da data prevista para o parto - e é exatamente nesse período que o bebê costuma acumular gordura e ganhar peso. “Bebês com baixo peso ainda não são uma tendência nacional, justamente porque há o equilíbrio entre lugares mais e menos desenvolvidos. Mas, a medida que o país for tornando-se mais igualitário, e se não diminuírem o número de cesáreas, isso pode virar um realidade”, completa Heloisa.

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